sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP V - S. PAULO

5
1Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no Céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas. 2Por isso, suspiramos neste nosso estado, desejosos de vestir o nosso corpo celeste; 3e isso será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. 4Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos acabrunhados, porque não queremos ser despojados da nossa veste, mas revestir a outra por cima desta, e, assim, aquilo que é mortal seja absorvido pela vida. 5E quem para isso nos preparou foi Deus, o qual nos deu a garantia do Espírito.
6Por esta razão, estamos sempre confiantes, sabendo que enquanto habitamos neste corpo, estamos fora de casa, isto é, longe do Senhor, 7pois caminhamos pela fé e não pela visão... 8Sim, estamos cheios de confiança e preferimos deixar a mansão deste corpo, para irmos morar junto do Senhor. 9Em todo o caso, quer fiquemos na nossa morada, quer a deixemos, esforçamo-nos por agradar ao Senhor. 10De facto, todos deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a recompensa daquilo que tiver feito durante a sua vida no corpo, tanto para o bem, como para o mal.
Ao serviço do Evangelho
11Portanto, compenetrados do temor do Senhor, procuramos convencer os homens. Somos plenamente conhecidos por Deus; espero que também sejamos plenamente conhecidos pela vossa consciência. 12Não nos recomendamos novamente a vós, mas queremos apenas dar-vos ocasião de vos orgulhardes de nós, a fim de que possais dar uma resposta àqueles que se gloriam somente pelas aparências e não pelo que está no coração. 13Se perdemos o bom senso, foi por causa de Deus; se nos comportámos com sensatez, foi por vossa causa.
O ministério da reconciliação
14O amor de Cristo é que nos impulsiona, quando consideramos que um só morreu por todos, e consequentemente todos morreram. 15Ora, Cristo morreu por todos, e assim, aqueles que vivem, já não vivem para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16Por isso, doravante não conhecemos mais ninguém pelas aparências. Mesmo que tenhamos conhecido Cristo segundo as aparências, agora já não O conhecemos assim. 17Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que uma realidade nova apareceu. 18Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação. 19Pois era Deus quem reconciliava consigo mesmo o mundo por meio de Cristo, não levando em conta os pecados dos homens e colocando em nós a Palavra da reconciliação. 20Sendo assim exercemos a função de embaixadores em nome de Cristo, e é por meio de nós que o próprio Deus vos exorta. Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliai-vos com Deus. 21Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus fê-l’O pecado por causa de nós, a fim de que por meio d’Ele sejamos reabilitados por Deus.
«««««««««««««««««««««««reflexão»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»
5,11-13: Os Coríntios estão divididos: uns reprovam os excessos de Paulo; outros acham-no prudente de mais. De facto, ele sabe tomar propositadamente atitudes contraditórias: entrega-se totalmente ao serviço do Evangelho; e, ao mesmo tempo, sabe agir com moderação em favor dos Coríntios. Na realidade, ele é guiado por uma só convicção: anunciar e testemunhar o Evangelho.
5,14-6,2: Os inimigos de Paulo dizem que ele não é Apóstolo porque não foi testemunha ocular da vida terrestre de Jesus, nem Lhe conheceu as palavras e actos. Por isso, não pode ser testemunha do Evangelho. No entanto, o Apóstolo mostra que o Evangelho não é a simples história de Jesus, mas o anúncio da sua morte e ressurreição, que restaura a condição humana, vence a alienação causada pelo pecado e inaugura uma nova era. A cruz de Jesus anuncia o fim da inimizade com Deus e inaugura uma nova era de reconciliação universal. Enquanto esperamos o dia da ressurreição, Deus escolheu Apóstolos para exercer o ministério da reconciliação. Por meio deles, o Senhor Jesus continua a sua actividade na Terra e convoca todos os homens: «reconciliai-vos com Deus».
segue Capítulo VI - 2ª carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP IV - S. PAULO

4
O Apóstolo é testemunha de Cristo
1É este o nosso ministério que nos foi concedido pela misericórdia de Deus; por isso, não perdemos a coragem. 2Dissemos «não» aos procedimentos secretos e vergonhosos, não agimos com astúcia, nem falsificámos a Palavra de Deus. Ao contrário, manifestando a verdade, recomendamo-nos diante de Deus à consciência de cada homem. 3Portanto, se o nosso Evangelho continua obscuro, está obscuro para aqueles que se perdem, 4para os incrédulos, cuja inteligência o deus deste mundo obscureceu a fim de que não vejam brilhar a luz do Evangelho da glória de Cristo, de Cristo que é a imagem de Deus. 5Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, Senhor. Quanto a nós mesmos é como vos-sos servos que nos apresentamos, por causa de Jesus. 6Pois o Deus que disse: «Do meio das trevas brilhe a luz!», foi Ele mesmo que reluziu em nossos corações para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo.
Fraqueza do Apóstolo e força de Deus
7Todavia, esse tesouro trazemo-lo em vasos de barro, para que todos reconheçam que esse incomparável poder pertence a Deus e não é propriedade nossa. 8Somos atribulados por todos os lados, mas não desanimamos; somos postos em extrema dificuldade, mas não somos vencidos por nenhum obstáculo; 9somos perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados. 10Sem cessar e por toda a parte levamos no nosso corpo a morte de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo. 11De facto, embora estejamos vivos, somos a toda a hora entregues à morte por causa de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus se manifeste na nossa carne mortal. 12Deste modo, em nós opera a morte; e, em vós, a vida.
13Animados pelo mesmo espírito de fé, sobre o qual está escrito: «Acreditei, por isso falei», também nós acreditamos e por isso falamos. 14Pois sabemos que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos colocará ao lado d’Ele juntamente convosco. 15E tudo isto se realiza em vosso favor, para que a graça, multiplicando-se entre muitos, faça transbordar a acção de graças para a glória de Deus.
A morte é passagem para a vida definitiva
16É por isso que nós não perdemos a coragem. Pelo contrário: embora o nosso físico se vá desfazendo, o nosso homem interior vai-se renovando a cada dia. 17Pois a nossa tribulação momentânea é leve, em relação ao peso extraordinário da glória eterna que ela nos prepara. 18Não procuramos as coisas visíveis, mas as invisíveis; porque as coisas visíveis duram apenas um momento, enquanto as invisíveis duram para sempre.
»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»reflexão««««««««««««««««««««««««««««««««
4,1-6: Escolhido para o ministério da nova aliança, o Apóstolo não pode falsificar o Evangelho em busca de uma glória pessoal. Iluminado por Cristo, ele torna-se, pelo testemunho, luz para iluminar toda a consciência que não se deixa seduzir pelos deuses deste mundo, isto é, pelas forças que pervertem a vida humana.
7-15: A vida de Paulo parece frustração e fracasso diante do êxitoque os novos mestres de doutrina conseguem. O prestígio fácil, porém, não é sinal de Evangelho autêntico. Este provoca sempre conflitos e perseguições, fazendo que a testemunha participe do caminho de Jesus em direcção à morte e à ressurreição. E um primeiro aspecto dessa ressurreição já se manifesta no testemunho vivo da comunidade, que foi gerada pelo testemunho do Apóstolo, cuja fraqueza humana se torna instrumento da força de Deus.
4,16-5,10: Para quem não tem fé, a morte é o fim de tudo. Mas, para quem está comprometido na fé e segue a Jesus, a morte é uma passagem para a dimensão definitiva da vida. O nosso corpo mortal desgasta-se e desfaz-se na vida terrestre; mas, através da ressurreição, Deus leva o nosso ser à vida plena. Paulo emprega uma imagem muito familiar no Oriente: quando retomam a caminhada, os nómadas do deserto desmontam a tenda do acampamento porque o deserto não é a sua moradia estável. O mesmo acontece connosco: este mundo é o lugar onde vivemos e construímos a nossa história, cujo fim é a comunhão e participação na própria vida divina.
A seguir Capítulo V - 2ª carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP III - S. PAULO

3

A comunidade testemunha a autenticidade do Apóstolo
1Vamos começar de novo a fazer recomendação de nós mesmos? Ou precisamos de vos apresentar cartas de recomendação, como fazem alguns? Ou, então, pedir-vos essa carta? 2A nossa carta de recomendação sois vós mesmos, carta escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. 3De facto, é evidente que sois vós uma carta de Cristo, da qual nós fomos o instrumento; carta escrita, não com tinta, mas nas tábuas de carne do vosso coração.
4Esta é a convicção que temos diante de Deus, graças a Cristo. 5Não nos atreveríamos a pensar que esta obra é devida a algum mérito nosso; pelo contrário, é de Deus que vem a nossa capacidade. 6Foi Ele que nos tornou capazes de sermos ministros de uma aliança nova, não aliança da letra, mas do Espírito; pois a letra mata e o Espírito é que dá a vida.
A nova aliança liberta e transfigura
7O ministério da morte, gravado com letras sobre a pedra, ficou tão marcado pela glória, que os israelitas não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa do fulgor que nele havia — fulgor, aliás, passageiro. 8Quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito! 9Na verdade, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais glorioso será o ministério da justiça. 10Mesmo a glória que aí se verificou já não pode ser considerada glória, em comparação com a glória actual, que lhe é muito superior. 11De facto, se foi marcado pela glória o que é passageiro, com maior razão há-de ser glorioso o que é permanente.
12Fortalecidos por tal esperança, estamos plenamente confiantes: 13nós não fazemos como Moisés que colocava um véu sobre a face para que os filhos de Israel não percebessem o fim daquilo que era passageiro... 14No entanto, o seu entendimento ficou obscurecido. Sim, até hoje, quando eles lêem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece; não é retirado, porque é em Cristo que ele desaparece.
15Sim, até hoje, todas as vezes que lêem Moisés, há um véu sobre o seu coração. 16Somente pela conversão ao Senhor é que o véu cai, 17pois o Senhor é o Espírito; e onde se acha o Espírito do Senhor, aí existe a liberdade. 18E nós que, com a face descoberta, reflectimos como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente pela acção do Senhor, que é Espírito.
««««««««««««««««««««««««««««««««reflexão»»»»»»»»»»»»»»»»»»
3,1-6: O que confirma a autenticidade da missão de um Apóstolo não é uma simples carta de recomendação dada por autoridades externas, mas o testemunho vivo da comunidade, que foi reunida e evangelizada pelo Apóstolo. É assim que se constitui a nova aliança anunciada pelos profetas e escrita pelo Espírito na vida dos homens e dos povos (cf. Jr 31,31-33; Ez 11,19).
7-18: Paulo contrapõe a antiga e a nova aliança. A primeira, que foi concluída por Moisés, tinha valor passageiro e era aliança de morte; de facto, a Lei denuncia o pecado, mas não dá forças para o vencer. Comentando o véu de Moisés (cf. Êx 34,29-35), Paulo afirma que o mesmo véu cobre agora o rosto dos judeus, que absolutizam a aliança antiga e não compreendem ser Cristo a aliança nova e definitiva, que conduz à vida como força de libertação e fonte de liberdade. A luz do Ressuscitado reflecte-se na vida dos fiéis e transfigura-a de forma cada vez mais profunda.
a seguir Capítulo IV - 2ª carta
António Fonseca

Igreja da Comunidade de São Paulo do Viso

Nº 5 801 - SÉRIE DE 2024 - Nº (277) - SANTOS DE CADA DIA - 2 DE OUTUBRO DE 2024

   Caros Amigos 17º ano com início na edição  Nº 5 469  OBSERVAÇÃO: Hoje inicia-se nova numeração anual Este é, portanto, o 277º  Número da ...