Rainha (968)
Filha do conde de Thierry, grande da Saxónia, foi educada pela avó que se fizera religiosa e veio a ser abadessa. Desde os anos juvenis sobressaiu na piedade, na caridade com os pobres e doentes e no desprezo das vaidades.
Veio a casar-se com Henrique, o Passarinheiro, rei da Germânia (919-936). Viveram 20 anos juntos e amando-se intensamente. Ele compreendia e ajudava a caridade da mulher para com os pobres. Tanto se recordava ela desse amor que, vivendo os últimos 5 anos como religiosa no mosteiro de Northhausen, na Turíngia, quis morrer onde fora sepultado o marido 32 anos antes.
Na verdade, com a morte deste tinham começado as suas grandes tribulações. sentia um fraquinho, talvez não de todo infundado, pelo segundo filho, Henrique como o pai, a quem desejava sucedesse. Não lho levou a bem o primogénito, Otão. Este é que tomou a coroa real e com o tempo veio a ser imperador da Alemanha e ainda rei de Itália, tornando-se o primeiro soberano (962-973) do Sacro-Império romano-germânico. Henrique teve de contentar-se com o ducado da Baviera.
Os dois irmãos, o protegido e o desprotegido, vieram porém a entender-se quanto à mãe; o resultado foi despojá-la do dote que possuía. Além disso, aprisionaram-na num convento da Vestefália. Ela recebeu porém notáveis graças nesse retiro. A príncipes e bispos, que diante dela a lastimavam, contentava-se com responder serenamente: “Eles são para mim instrumentos da vontade divina. Deus seja bendito e os abençoe!”
De novo se entenderam os dois príncipes: em restituir a liberdade e os bens à mãe. Esta veio a construir hospitais, igrejas e mosteiros, em particular o de Polden, onde viveram, 3 000 (!) monges, e o de Northhausen, já mencionado.
A esposa dum rei, mãe dum imperador e dum duque, e avó (por sua filha Hedviges) de Hugo Capeto, primeiro rei de França, quis morrer deitada num tecido áspero, usado como penitência, chamado cilício, e tendo a cabeça coberta de cinza, símbolo de desprezo de todas as vaidades. Expirou a 14 de Março de 968.
Transcrição direta através do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt
FLORENTINA, Santa
Religiosa (entre 612 e 633)
Nasceu em Cartagena, Andaluzia, e foi irmã de três homens notabilíssimos, São Leandro, arcebispo de Sevilha, aclamado como o homem mais notável de Espanha, São Fulgêncio, bispo, cognominado pai dos pobres e dotado de grande zelo pastoral; Santo Isidoro, sucessor de São Leandro em Sevilha e proclamado insigne Doutor da Igreja e acérrimo defensor do catolicismo em Espanha. E um sobrinho, Santo Hermenegildo, que deu a vida na defesa da fé.
Santa Florentina foi dirigida espiritualmente por São Leandro e estudou a fundo a língua latina. Sendo também formosíssima e cheia de qualidades, resolveu escapar aos escolhos do mundo tomando o hábito religioso num mosteiro de São Bento, perto da cidade de Ecija. Muitas donzelas se lhe vieram juntar, de maneira que o bispo desta cidade, resolveu fundar outro mosteiro. Depois os três irmãos, e até o próprio rei, ajudaram-na a erguer mais outros 40, onde viveram para cima de mil religiosas. Decaiu porém a observância no mosteiro em que inicialmente entrara; isto por descuido do bispo de Ecija. Numerosas e ferventes orações conseguiram porém que sucedesse na mesma sé o nomeado São Fulgêncio, que tudo reformou.
Vendo a Santa contínua e deploravelmente perseguida pelos arianos a santa lei de Deus, aumentou as orações, penitências e súplicas, trabalhando do modo que podia em combater os hereges e manter, com exemplos e palavras, puro e ileso o depósito da fé, não só entre as suas religiosas, senão em quantos a consultavam ou ela encontrava. Teve a grande consolação de receber a notícia da conversão do rei Recaredo.
Transcrição direta através do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt
GIÁCOMO CUSMANO, Beato
Fundador (1834-1888)
Nasceu em Palermo (Itália), a 15 de Março de 1834, no seio duma família de notáveis recursos materiais e sobretudo espirituais. Aos três anos, perdeu a mãe, e em 1858 viu o pai partir para a eternidade. Depois de estudar no colégio dos Jesuítas, na sua terra natal, conseguiu o doutoramento em, medicina, que lhe serviu mais para praticar a caridade do que de fonte de rendas. Com efeito, não só atendia gratuitamente a todos os pobres que o procuravam, mas ainda os ajudava a adquirir os remédios.
O seu amor aos pobres nascia da fé profunda de que eles representavam a Cristo. Comparava os pobres às espécies sacramentais que ocultam a Cristo na Eucaristia. Com este espírito de caridade evangélica, não é de admirar que o Dr. Cusmano se sentisse chamado ao sacerdócio, para mais plenamente atender os necessitados.
De facto, recebeu a ordenação sacerdotal a 22 de Dezembro de 1860. A seguir dedicou-se por completo a ensinar o catecismo às crianças, pregar a palavra de Deus, atender os doentes, sobretudo aos moribundos. Transformou a sua residência nu domicilio dos pobres.
Sentindo-se impossibilitado de atender por si a todos os necessitados, procurou quem o auxiliasse, como expõe João Paulo II na homilia da sua beatificação, a 30 de Outubro de 1983:
«O Beato Giacomo Cusmano, médico e sacerdote, para curar as chagas da pobreza e da miséria que afligiam grande parte da população por causa de frequentes carestias e epidemias, mas também da desigualdade social, escolheu o caminho da caridade; amor de Deus que se traduzia no amor efetivo para com os irmãos e no dom de si aos mais necessitados e sofredores, por meio de um serviço levado até ao sacrifício heroico.
Depois de ter aberto uma “primeira casa dos pobres”, iniciou uma obra mais vasta de promoção social, instituindo a “Associação para a distribuição de comida ao Pobre”, que foi como o grão de mostarda do qual surgiria uma planta tão viçosa. Ao fazer-se pobre com os pobres, não se envergonhou de mendigar pelas ruas de Palermo, solicitando a caridade de todos e recolhendo viveres que depois distribuía aos inúmeros pobres que o circundavam.
A sua obra, como todas as obras de Deus, encontrou dificuldades que puseram a dura prova a sua vontade, mas com a sua imensa confiança em Deus e com a sua invicta fortaleza de alma superou todos os obstáculos, dando origem ao Instituto das “Irmãs Servas dos Pobres”, e à “Congregação dos Missionários Servos dos Pobres.” (…).
Este magnifico “Servo dos Pobres” desgastou-se nos exercícios de uma caridade que ia crescendo cada vez mais até tocar vértices heroicos. Com o início de uma nova epidemia de cólera em Palermo, como nenhum outro, ele esforçou-se por estar, em todos os momentos, junto dos seus pobres. “Senhor, repetia ele, atingi o pastor e poupai o rebanho”. Por causa desta epidemia a sua saúde debilitou-se gravemente e, com apenas 54 anos, consumava o seu holocausto, entregando com todo o amor a sua alma àquele Deus, cujo nome é Amor». AAS 77 (1985) 112-4; L’OSS. ROM. 6.11.1983.