quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP II - S. PAULO

2
A sabedoria de Deus
1Irmãos, eu mesmo, quando fui ter convosco, não me apresentei com o prestígio da oratória ou da sabedoria para vos anunciar o mistério de Deus. 2Entre vós, eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. 3Estive no meio de vós cheio de fraqueza, receio e tremor; 4a minha palavra e a minha pregação não tinham brilho nem artifícios para seduzir os ouvintes, mas a demonstração residia no poder do Espírito, 5para que acrediteis, não por causa da sabedoria dos homens, mas por causa do poder de Deus. 6Na realidade, é aos perfeitos na fé que falamos de uma sabedoria que não foi dada por este mundo, nem pelas autoridades passageiras deste mundo. 7Ensinamos uma coisa misteriosa e escondida: a sabedoria de Deus, aquela que Ele projectou desde o princípio do mundo para nos levar à sua glória. 8Nenhuma autoridade do mundo conheceu tal sabedoria, pois se a tivessem conhecido não teriam crucificado o Senhor da glória. 9Mas, como diz a Escritura: «O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que O amam». Deus, porém, revelou-o a nós pelo Espírito. 10Pois o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus. 11Quem conhece a fundo a vida íntima do homem é o espírito do homem que nele reside. Da mesma forma, só o Espírito de Deus conhece o que está em Deus. 12Quanto a nós, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para conhecermos os dons da graça de Deus. 13Para falar desses dons, não usamos a linguagem ensinada pela sabedoria humana, mas a linguagem que o Espírito ensina, falando de realidades espirituais em termos espirituais. 14Fechado em si mesmo, o homem não aceita o que vem do Espírito de Deus. É uma loucura para ele, e não pode compreender, porque são coisas que devem ser avaliadas espiritualmente. 15Ao contrário, o homem espiritual julga a respeito de tudo, e por ninguém é julgado. 16Pois, quem conhece o pensamento do Senhor para Lhe dar lições? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo.
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2,1-16: Paulo não se serviu de artifícios humanos para anunciar o Evangelho aos Coríntios. Pelo contrário, foi através da sua fraqueza que ele anunciou o cerne do projecto de Deus: Jesus crucificado. Se os Coríntios chegaram à fé, foi pelo Espírito que agiu neles através de Paulo. Os cristãos que aprofundaram a fé possuem a verdadeira sabedoria, que consiste no seguinte: Deus salva o mundo por meio de Jesus Cristo. Esta compreensão da fé é obra do Espírito; o homem que só confia na sua própria capacidade não consegue atingir essa compreensão.
Segue-se Capítulo 3
António Fonseca

CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP I - S. PAULO

1
Endereço e saudação
1 Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade e chamamento de Deus, e o irmão Sóstenes, 2à Igreja de Deus que está em Corinto. Dirigimo-nos àqueles que foram santificados em Jesus Cristo e chamados a ser santos, juntamente com todos os que invocam em todo o lugar o Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3Graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Agradecimento
4Sem cessar, agradeço a Deus por vossa causa, em vista da graça de Deus que vos foi concedida em Jesus Cristo. 5Pois em Jesus é que recebestes todas as riquezas, tanto da palavra como do conhecimento. 6Na verdade, o testemunho de Cristo tornou-se firme em vós, 7a tal ponto que não vos falta nenhum dom, a vós que esperais a Revelação de nosso Senhor Jesus Cristo. 8É Ele que também vos fortalecerá até ao fim, para que não sejais acusados no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 9O Deus que vos chamou para a comunhão com o seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, Ele é fiel.
I. DIVISÕES NA COMUNIDADE

Cristo está dividido?

10Peço-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo: mantende-vos de acordo uns com os outros, para que não haja divisões. Sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar. 11Meus irmãos, alguns da casa de Cloé informaram-me de que entre vós existem contendas. 12Eu explico-me. É que uns dizem: «Eu sou de Paulo E outros: «Eu sou de Apolo E outros mais: «Eu sou de Pedro Outros ainda: «Eu sou de Cristo 13Será que Cristo está dividido? Será que Paulo foi crucificado em vosso favor? Ou será que fostes baptizados em nome de Paulo?
14Agradeço a Deus o facto de eu não ter baptizado ninguém de vós, a não ser Crispo e Caio. 15Portanto, ninguém pode dizer que foi baptizado em meu nome. 16Ah! Sim. Baptizei também a família de Estéfanas. Fora deles, não me lembro de ter baptizado mais alguém.
Deus subverte os projectos humanos
17De facto, Cristo não me enviou a baptizar, mas a anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo. 18Pois a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem. Mas, para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus. 19Pois a Escritura diz: «Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes». 20Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste mundo? Porventura Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo? 21De facto, quando Deus mostrou a sua sabedoria, o mundo não reconheceu a Deus através da sabedoria. Por isso, através da loucura que pregamos, Deus quis salvar os que acreditam. 22Os judeus pedem sinais e os gregos procuram a sabedoria; 23nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. 24Mas, para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Ele é o Messias, poder de Deus e sabedoria de Deus. 25A loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. 26Portanto, irmãos, vós que recebestes o chamamento de Deus, vede bem quem sois: entre vós não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos da alta sociedade. 27Mas Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. 28E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, foi isso que Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante. 29Deste modo, nenhuma criatura se pode orgulhar na presença de Deus. 30Ora, é por iniciativa de Deus que existis em Jesus Cristo, o qual Se tornou para nós sabedoria que vem de Deus, justiça, santificação e libertação, 31a fim de que, como diz a Escritura: «Aquele que se gloria, que se glorie no Senhor».
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reflexão«««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
1,1-3: Desde o início, Paulo já salienta o aspecto da unidade, que é um dos temas fundamentais da carta: o único Senhor das Igrejas é Jesus Cristo. 4-9: A evangelização da comunidade de Corinto foi completa: ela recebeu a riqueza do Evangelho e da sabedoria da vida cristã. Este é outro tema importante da carta. Resta à comunidade perseverar no testemunho de Jesus Cristo até ao fim. 10-16: O que faz a unidade da comunidade cristã é o baptismo em nome de Jesus e a submissão a Ele como único Senhor. Os evangelizadores e chefes são apenas instrumentos para levar a comunidade a Jesus Cristo. Absolutizando as pessoas, ela divide-se, submetendo-se a outros senhores e falsificando a função dos chefes. 17-31: O projecto de Deus é contrário aos projectos dos homens. Os homens valorizam e dão lugar aos ricos, aos poderosos, aos intelectuais, aos que têm posição social, beleza física, facilidade de expressão, etc. Consequentemente, desprezam e não dão importância àqueles que não se encaixam nestes padrões. Deus, porém, subverte a sociedade e os projectos humanos: para estabelecer e realizar os seus projectos, Ele alia-Se aos pobres, fracos e simples, porque estes não são auto-suficientes e abrem-se a Deus. É na pobreza e fraqueza destes que Deus manifesta a sua força (cf. 2Cor 12,9). E a manifestação máxima do poder e da graça de Deus é Jesus crucificado, pois a cruz é o símbolo da fraqueza, do fracasso e da vergonha, porque nela eram executados os criminosos. A ver dadeira comunidade cristã é a dos pobres: ela está aliada à sabedoria do projecto de Deus; por isso, é portadora da novidade que provoca transformações radicais.

ver: http://diocese-porto.pt

ver: http://ecclesia.pt/anopaulino

SEGUE-SE 2º CAPÍTULO

António Fonseca

CARTA AOS CORÍNTIOS - S. PAULO

Carta aos Coríntios
PRIMEIRA CARTA AOS CORÍNTIOS
COMO SUPERAR OS CONFLITOS NA COMUNIDADE
Introdução

Corinto era uma rica cidade comercial, com mais de 500.000 habitantes, na maioria escravos. Nesse porto marítimo acotovelava-se gente de todas as raças e religiões à procura de vida fácil e luxuosa, criando ambiente de imoralidade e ganância. A riqueza escandalosa de uma minoria estava ao lado da miséria de muitos. Surgiu, inclusive, uma expressão: «Viver à moda de Corinto», que significava viver no luxo e na orgia.
Paulo, entre os anos 50 e 52, permaneceu aí durante dezoito meses (Act 18,1-18) e fundou uma comunidade cristã formada por pessoas da camada mais modesta da população (1Cor 1,26-28).
A primeira carta aos Coríntios foi escrita em Éfeso, provavelmente no ano 56. A comunidade já reproduzia, de certa maneira, o ambiente que se vivia na cidade. Ela também estava dividida: os grupos litigavam entre si, cada um apoiando-se na autoridade de algum pregador do Evangelho. Por isso, o primeiro objectivo de Paulo na carta é restabelecer a unidade, advertindo que o único chefe é Cristo, e Este não está dividido. Paulo aproveita da situação para traçar um retrato do verdadeiro agente de pastoral (1Cor 1-4). Depois, passa a denunciar os escândalos que invadem a comunidade: incesto, julgamento em tribunais pagãos, a imoralidade, e vai elaborando uma teologia do corpo: este é templo do Espírito Santo (1Cor 5-6).
Em seguida, responde a diversas perguntas formuladas pelos Coríntios. Na primeira série, procura orientar os cristãos sobre os estados de vida (1Cor 7): matrimónio ou celibato? divórcio ou indissolubilidade? o que pensar da virgindade? como devem comportar-se os noivos? as viúvas podem casar-se de novo? Em tudo isso, onde está a originalidade cristã? Ao responder sobre a questão da carne sacrificada aos ídolos (1Cor 8-10), coloca o fundamento da verdadeira liberdade cristã: o respeito pelos outros.
A carta também apresenta normas para que haja ordem e autêntico culto cristão nas assembleias litúrgicas (1Cor 11-14): entra na debatida questão do véu das mulheres; denuncia as diferenças de classe nas celebrações eucarísticas, e aí é taxativo: Eucaristia sem amor fraterno é impossível. Salienta igualmente que os carismas que fervilham na comunidade só têm sentido quando estão ao serviço dos irmãos, e se estão subordinados ao dom maior, que é o amor.
Por fim (1Cor 15), citando exemplos da natureza e da própria ressurreição de Cristo, demonstra que a ressurreição dos corpos é inquestionável: o cerne da fé é a certeza de que a vida vence a morte.
Em seguida o 1º Capítulo (cf. http://diocese-porto.pt) (cf. http://ecclesia.pt/anopaulino) António Fonseca

Igreja da Comunidade de São Paulo do Viso

Nº 5 801 - SÉRIE DE 2024 - Nº (277) - SANTOS DE CADA DIA - 2 DE OUTUBRO DE 2024

   Caros Amigos 17º ano com início na edição  Nº 5 469  OBSERVAÇÃO: Hoje inicia-se nova numeração anual Este é, portanto, o 277º  Número da ...