domingo, 1 de maio de 2011

Nº 906-1 - (119) - 1 DE MAIO DE 2011 - SANTOS DE CADA DIA - 3º ANO


154 Santos e Beatos
Nº 906
SÃO JOSÉ OPERÁRIO
Neste dia 1 de Maio, celebram-se as memórias de vários Santos (cerca de 12 ou 13), sendo 11 indicados em http://es.catholic.net/santoral e em www.jesuitas.pt (3 mais um). Destes três preferi mencionar as biografias de S. José, S. Jeremias, S. Ricardo Pampuri e, também, Santa Comba do Alentejo, que apesar de longas (pelo menos a primeira) – e «curiosamente as 4 primeiras biografias abaixo publicada» vêm em Português. Quanto a estes Santos não farei a tradução das suas biografias de espanhol para português e bem assim de outras biografias bastante extensas, fazendo apenas alusão aos seus primeiros parágrafos. Tudo o resto, poderá ser consultado no site de www.catholic.org. Obrigado e desculpem. António Fonseca.

José Obrero, Santo
José Operário, Santo
“No 1º de Maio de 1955 – escreve uma testemunha presencial – Roma era um fervedouro de gente simples e morena, com olhar claro e espontâneo. Aqui e acolá, nos bares e ruas que rodeiam o Vaticano, grupos de homens, mulheres e crianças, misturados em alegre algaraviada, largavam a leve bagagem das suas mochilas e esgotavam xícaras de bom café. À volta deles parecia soprar um ar novo, ainda não estreado. Até ao ponto de o semblante da Cidade Eterna, acostumado a todos os acontecimentos e a todas as extravagâncias de todos os povos da terra, parecer ensombrado diante do alude novo de corpos duros e curtidos, e de almas ingénuas, que ultrapassavam todo o previsto”.Dir-se-ia que havia um pressentimento. Quando aqueles grupos confluíram numa das grandes praças romanas e ao longo das amplas margens do Tibre, e principiaram a sua marcha para o Vaticano, alguma coisa flutuava no ambiente. A Rua da Conciliação vibrava com um eco novo, o das rotundas vozes dos operários do mundo que, ao compasso de entusiásticos hinos e debaixo dos seus guiões e cartazes, representando todo os seus irmãos do orbe, avançavam ao encontro do Papa. Era uma enchente imensa de vida, de calor e entusiasmo. Diante do roncar das camionetas, carregadas de trabalhadores, que avançavam com os seus instrumentos de trabalho para a Praça de S. Pedro, corria uma multidão alegre e simples, gritando formosos motes: «Viva Cristo trabalhador! Vivam todos os trabalhadores! Viva o papa!». Aquelas 200 000 pessoas sobrepunham-se ao velho latejo de ódio e de morte, substituindo-o por outro, o da ressurreição e de vida. Oiçamos de novo o mesmo cronista: “Com espírito novo e consciência clara da nobreza trabalhadora, a imensa multidão foi enchendo, em crescente muralhada, a monumental Praça de S. Pedro. As fontes estavam transformadas em cachos humanos e, dominando a excitada concentração, o obelisco neroniano parecia um dedo luminoso a apontar obstinadamente o caminho dos luzeiros, o único capaz de remir o doloroso mundo do trabalho. Mesmo aos pés da basílica detinha-se a maré humana e, debaixo da varanda do centro da igreja mais monumental do Cristianismo, levantava-se o vermelho estrado papal. Depressa apareceu nele a branca figura do Vigário de Cristo, enquanto a Praça inteira vibrava numa ensurdecedora gritaria e num contínuo agitar de lenços e cartazes. As fontes pareciam abrir as suas bocas para gritar, o obelisco alongava-se mais e mais para o céu e a majestosa colunata de Bernini exalava um movimento de gozo e de glória. Tudo se movia à volta do Cristo na terra, e pelas cornijas e capitéis – como bando de pombos ao vento – iam saltando os gritos de paz, trabalho e amor. “Na imensa Praça foram-se destacando grupozinhos de operários, portadores de mil presentes vibrantes que o mundo do trabalho oferecia ao papa. Vimos esses operários subir os degraus do estrado e ajoelhar-se, com as suas mãos grossas e toscas, diante do Cristo visível na terra. Alguns com serenidade diziam uma frase bem aprendida. Outros, vencidos pelo momento grandioso, esqueciam-ma e improvisavam ricas espontaneidades, ou não faziam senão olhar para o Papa, cara a cara. A Praça continuava a gritar pela sua descomunal boca de 240 metros de largura e voando nas asas dos 2000 000 corações de operários. Só quando o Papa se levantou, ficou muda e surpreendida, como deserto silencioso. Dominando um silêncio palpitante vibrou a voz do papa Pio XIII: «Quantas vezes Nós manifestamos e explicamos o amor da Igreja para com os operários! Apesar disso, propaga-se muito a atroz calúnia de que “a Igreja é a aliada do capitalismo contra os trabalhadores”. Ela, mãe e mestra de todos, teve sempre particular solicitude pelos filhos que se encontram em condições mais difíceis , e também, na realidade, contribuiu notavelmente para a consecução dos apreciáveis progressos obtidos por várias categorias de trabalhadores. Nós mesmo, na radiomensagem natalícia de 1942, dizíamos: “Movida sempre por motivos religiosos, a Igreja condenou os diversos sistemas do socialismo marxista e condena-os hoje também, sendo dever e direito seu permanente, preservar os homens das correntes e influxo que põem em perigo a salvação eterna deles”. “Mas a Igreja não pode ignorar ou deixar de ver que o operário, ao esforçar-se por melhorar a sua própria condição, se encontra diante numa organização que, longe de ser conforme à natureza, contrasta com a ordem de Deus e com o fim que Ele assinalou aos fieis da terra. Por falsos, condenáveis e perigosos que tenham sido e sejam, os caminhos seguidos, quem, e sobretudo quem sacerdote ou cristão, poderá tornar-se surdo ao grito que se levanta da profundidade e que, no mundo do Deus justo, pede justiça e espírito de fraternidade?” Apesar disso, a festa, com toda a sua beleza, poderia ter ficado como uma das muitas que se têm celebrado na magnifica Praça de S. Pedro e o discurso com um de tantos entre os pronunciados pelo Papa Pio XII. Não foi assim, Por boca do Sumo Pontífice, a Igreja dispôs-se a fazer, com a festa do 1º de Maio, o que tantas vezes fizera, nos séculos da sua história, com as festas pagãs ou sensuais: cristianizá-las. O 1º de Maio nascera, no calendário das festividades, sob o signo do ódio. Desde meados do século XIX, essa data identificara-se, na memória e imaginação de muitos, com as alamedas e as avenidas das grandes cidades cheias de multidões com os punhos cerrados. Era doa de greve total em que o mundo dos proletários recordava à sociedade burguesa até que ponto tinha descido, à mercê do ódio dos explorados. E essa festa, a festa do ódio, da vingança social e da luta de classes ia transformar-se por completo numa festa litúrgica (actualmente memória)… Plástica, colorida e vital vem a ficar a dignidade do trabalho quando a encontramos, não por meio duns parágrafos oratórios, mas encarnada na sublime simplicidade da vida, nada menos que do pai putativo de Jesus Cristo… Qualquer de nós, consultado, teria sido de opinião ser preferível que Jesus Cristo, escolhido para trazer ao mundo uma mensagem que forçosamente haveria de chocar com o mundo de então, ser preferível, dizíamos, que nascesse rodeado por isso a que habitualmente chamamos prestigio social: de família ilustre, sem angústias económicas, nalguma cidade como a antiga Roma, que se mostrasse social no andar dos tempos. Mas não foi assim, antes pelo contrário, Jesus escolhe para Si, para sua Mãe, para S. José, um ambiente de pobreza autêntica. Entendamo-nos: não ambiente de pobreza mais ou menos convencional, de vida simples mas livre de preocupações económicas, mas a áspera realidade de ter de ganhar o pão trabalhando, de ter de gastar as magras economias no desterro, de ter de sofrer muitas vezes a amargura de não poder dispor nem sequer do necessário… O certo é que a Virgem Santíssima teve de lavar as humildes escadas da casita, de varrer a pobre oficina e de preparar as frugais refeições. E, junto a ela, também S. José haveria de corresponder-lhe com a sua parte nas consequências de tanta pobreza. Sabemos que foi carpinteiro. Algum dos Padres Apostólicos, S. Justino, chegou a ver toscos arados romanos, feitos na oficina nazaretana pelo Patriarca S. José e também por Jesus. Fora disto, tudo o mais são conjecturas. Mas conjecturas constituídas com base de certeza, se é lícito falar paradoxalmente, pois, por muito que desejemos forçar a imaginação, sempre resultará que foi dura a vida dum pobre carpinteiro de aldeia, que a essa condição sua juntou as tristes consequências de ter vivido algum tempo no desterro. Porque, se algumas economias houve, se alguma coisa chegou a valer a ferramenta, tudo foi preciso quando, em consequência da perseguição de Herodes, a sagrada Família teve de ir para o Egipto. Dura foi a vida. E dura também a vida depois do regresso. Neste ambiente viveu Jesus Cristo. E este é o modelo que hoje se propõe a todos os cristãos. Para que aprenda cada um a lição que lhe toca. Quer a Igreja que a memória de S. José Operário sirva para despertar e aumentar nos operários a fé no Evangelho e a admiração e o amor por Jesus Cristo; sirva para despertar nos que governam a atenção pelos que sofrem e o desejo de pôr em prática aquilo que pode levar a uma ordem justa na sociedade humana: e sirva para corrigir na sociedade os falsos critérios mundanos que em tantas ocasiões chegam a penetrá-la por completo.
Terminemos com esta bela oração de João XXIII, no 1º de Maio de 1959:
«Ó glorioso S. José, que velaste a tua incomparável e real dignidade, de guarda de Jesus e da Virgem Maria, sob a humilde aparência de artífice, e com o teu trabalho sustenta-se as suas vidas, protege com amável poder os teus filhos que estão a ti especialmente confiados. Tu conheces as angústias e sofrimentos deles, porque tu mesmo experimentaste isto ao lado de Jesus e de sua Mãe. Não permitas que, oprimidos por tantas preocupações, esqueçam o fim para que foram criados por Deus; não deixes que os germes da desconfiança lhes dominem as almas imortais. Recorda a todos os trabalhadores que – nos campos, nas oficinas, nas minas e nos laboratórios da ciência – não estão sós para trabalhar, gozar e servir, mas que junto a eles está Jesus com Maria, Mãe sua e nossa, para os suster, para lhes enxugar o suor, e mitigar as fadigas. Ensina-lhes a fazer do trabalho, como fizeste tu, instrumento altíssimo da santificação».
Jeremías, Santo
Jeremias, Santo
Jeremias, era natural de Anatot, pequena cidade sacerdotal que ficava a hora e meia de caminho para o Norte de Jerusalém. Nasceu pelo ano de 645 antes de Cristo. Seu pai chamava-se Helcias, como ele mesmo nos diz no prólogo da sua profecia. Divergem os críticos sobre quem seja este Helcias; uns querem que seja o sumo sacerdote que eficazmente cooperou com Josias na reforma religiosa de Judá. Esta identificação parece pouco provável, visto esse pontífice ser da família de Eleazar, enquanto os sacerdotes de Anatot pertenciam ao ramo de Itomar. Como quer que seja, Jeremias devia ter ouvido na sua terra natal, tão próxima de Jerusalém, os clamores contra a idolatria e contra as crueldades de Manassés e de seu filho Amós rei de Judá. Foi educado pelo pai no respeito à lei e na obediência às tradições moisaicas; estudou com particular cuidado as Sagradas Escrituras, os oráculos dos profetas, principalmente Isaías e Miqueias, como se vê dos seus próprios escritos, que reproduzem citações quase textuais. Presenciou os esforços empregados por Josias para restabelecer na sua primitiva pureza a religião moisaica, o que lhe causou profunda impressão e lhe avivou o desejo de contribuir para o ressurgimento de moisaismo, tão decadente nos seus tempos.
Jeremías, Santo
Jeremias, Santo
Ainda na sua juventude, travou estreitas relações com a família de Neerias, filho de Maasias, governador de Jerusalém no seu tempo e cooperador de Helcias e de Safán nas reformas de Josias. Mais tarde, os dois filhos de Neerias, Baruc e Saraías, foram discípulos de Jeremias. Os seus escritos mostram-nos que era dotado duma acrisolada piedade, duma humildade profunda, muito impressionável, abrasado no amor de Deus e entusiasta pela felicidade da pátria. Piedade e patriotismo; estas duas palavras resumem o seu carácter. Assistiu ás desgraças que profetizara; tomada de Jerusalém e deportação dos Judeus para a Babilónia (589-587). Não seguiu os compatriotas para o exílio (587-538). Julga-se que se refugiou no Egipto e que lá morreu. Não era homem para a luta; evitava a ostentação, fugindo de se pôr em evidência; a nota primacial do seu modo de ser era o amor, a dedicação. Lutava chorando; as armas de que se servia nos seus combates eram os queixumes, aos mais amoráveis. A sua vida foi uma profecia viva da paixão e morte de Jesus Cristo. Mas Jeremias não foi somente a figura de Jesus Cristo; profetizou explicitamente o nascimento, paixão e morte na cruz do Messias, e o estabelecimento da Igreja pelos Apóstolos. Santo Epifânio refere que os fieis costumavam ir ao seu sepulcro fazer oração, e com o pó que dele recolhiam, saravam a mordedura das áspides.
SANTA COMBA DO ALENTEJO
Mártir (300)
São três as Santas portuguesas conhecidas com este nome: SANTA COMBA DO ALENTEJO, SANTA COMBA DE COIMBRA , SANTA COMBA DE TRÁS OS MONTES (Santa Comba Dão). Nenhum documento há, com valor histórico, sobre a vida desta santa. Diz Jorge Cardoso que foi martirizada em Tourega, perto de Évora, durante a perseguição de Diocleciano. Depois de Santa Comba ter sido decapitada, sua irmã Anominata, que esteve presa com ela, recebeu a permissão de se ausentar para fugir ao martírio. Sabendo disto S. Jordão, irmão de ambas, que era ao tempo Bispo de Évora, foi logo em procura de Anominata e, achando-a na serra do Espinheiro, repreendeu-a pela sua inconstância e pouca fé, levando-a a oferecer-se ao martírio. Dizia a tradição que, no lugar do seu martírio, rebentou uma fonte de água cristalina, que era levada a várias partes do Reino, operando muitos milagres.
Ricardo Pampuri, Santo
Ricardo Pampuri, Santo
Foi o décimo de onze filhos do casal Inocêncio Pampuri e Ângela Campani. Nasceu a 2 de Agosto de 1897 em Trivolzio, na Itália. No baptismo, administrado no dia seguinte, recebeu os nomes de Hermínio e Filipe. Tendo perdido a mãe aos treze anos, foi para casa de um tio materno, o Dr.. Carlos que vai influir beneficamente no futuro do sobrinho. Este, terminados os estudos secundários, em 1915, matricula-se em medicina na Universidade de Pavia. Com o envolvimento da Itália na primeira guerra mundial, teve de interromper os estudos para entrar no serviço militar. Em Outubro de 1917, durante o ciclone de Caporetto, deu provas de reconhecida coragem, que foi galardoada com uma medalha de bronze. tendo regressado à universidade, no dia 6 de Julho de 1921 laureou-se em medicina e cirurgia com a classificação máxima. Foi, então para Morimondo exercer a profissão de médico, que tomou mais como ensejo de apostolado e prática da caridade do que meio para ganhar a vida. É que Morimondo, a 27 quilómetros de Milão, contava cerca de 1800 habitantes em casas distanciadas, distribuídas por três freguesias, com péssimas vias de comunicação, que o médico tinha de percorrer, muitas vezes de noite, para atender chamados urgentes. O Dr. Hermínio Filipe permaneceu nesse posto sete anos. Não se contentou com exercer medicina, mas procurou cooperar em tudo o que podia com os párocos. Fundou a Acção Católica entre os jovens, promoveu turnos de exercícios espirituais , conferências religiosas, a adoração eucarística, o ensino do catecismo e o auxílio às missões. A  meados de 1927, houve uma surpresa geral no povoado, excepto para aqueles que conheciam o médico de perto. No mês de Junho, o Dr. Pampuri deixou Morimondo para ir a Milão bater à porta dos religiosos de S. João de Deus. Algumas semanas depois, entrou no noviciado que a Ordem tinha em Bréscia. Em Outubro de 1928 faz a profissão e recebe o nome de Irmão Ricardo. Os Superiores encarregaram-no então de tomar conta dos doentes, entregando-lhe a direcção do gabinete dentário, a que acudiam diariamente operários e gente pobre. mas não eram decorridos três anos, tiveram de o exonerar desse trabalho, devido à tuberculose que o minava. Mandaram-no para Milão, mas no dia 1 de Maio de 1930, inesperada e serenamente, faleceu. Contava 33 anos incompletos. O espírito com que exerceu a medicina transparece da carta que escreveu à sua irmã Longina, religiosa missionária: “Pede a Deus que nem a soberba, nem o amor ao próprio interesse, nem nenhuma outra paixão desordenada me impeça de ver sempre a Jesus nos doentes. Que a Ele eu cure, que a Ele procure consolar, que padece nos doentes para expiar os meus pecados, por Seu infinito amor por mim”. Se conservar sempre estes pensamentos na minha mente , a profissão ser-me-á suave e fecunda” (Carta de 5.11.1923). Esta é a chave do segredo da vida intima deste médico e religioso, que em poucos anos atingiu uma alta santidade. Com efeito, foi solenemente canonizado a 1 de Novembro de 1989. AAS 63 (1971) 245-7; 70 (1978) 525-9; 74 (1982) 376-9; S. MONDRONE, /Sanei ci sono ancora, VI, 297-315
• Segismundo, Santo
Rei de Borgonha
Segismundo, Santo
Segismundo, Santo
Foi rei de Borgonha desde 516 até sua morte.
Foi filho do rei Gundebaldo, a que sucedeu. Segismundo e seu irmão Gundemaro foram derrotados na batalha pelos filhos de Clodoveo I. Segismundo foi capturado por Clodomiro, rei de Orleães, que o manteve como prisioneiro. Gundemaro reuniu outro exército e reconquistou seu reino. Entretanto, Clodomiro ordenava a morte de Segismundo e marchava com seu irmão Teodorico, rei de Austrásia. Ver mais Historia da vida de S. SEGISMUNDO, em
http://es.cat5holic.net/santoral em espanhol. António Fonseca Casou-se com Ostrogota, a filha ilegítima de Teodorico o Grande em 494 como parte das negociações de Teodorico para se aliar com Segismundo. Tiveram dois filhos: ° Sigerico (assassinado por seu próprio pai) e° Suavegotha casada com Teodorico I de Austrásia, filho de Clodoveo I.
Orencio y Paciencia, Santos
Orêncio e Paciência, Santos
Etimologicamente significam “amanhecente”, da língua grega, e “paciente”, da língua latina. ¿Se faz um uso abusivo do perdão? O amor que perdoa não é cego, está impregnado de lucidez. O perdão não preserva desta dura prova, quando alguns fazem este cálculo "eu posso permitir-me tudo, inclusive destrocar a aquela ou aquela de quem sei que de todas maneiras terminará por perdoar-me". Era a meados do século III quando na cidade de Huesca floresciam duas pessoas queridas por todos por causa de fazerem bem a todo o mundo. Orêncio se casou com uma dama acomodada. Mas não viveram à grande, mas que se entregaram a viver com os pobres e a socorre-los em todas suas necessidades. Tiveram dois filhos (Lorenzo e Orêncio) que mereceram o respeito de todos pelo grau de virtude que lhe haviam inculcado seus pais. Paciência, sua mulher, morreu e ele ficou muito abatido. Mas uma noite, enquanto orava, teve uma visão. Apareceu-lhe um anjo e lhe disse: "Toma a teu filho Orêncio e vai ao lugar que te mostrarei". Colheu a seu filho e marchou para Tarbes, França. Desapareceu la luz de seus olhos. Então se deu conta de que aquele sitio era o idóneo para viver. Se dedicava às tarefas do campo. Contam que tinha dois novilhos brancos muito indóceis. Cansado de suas travessuras, fez sobre eles o sinal da cruz, e se converteram em mansos. Um dia, um lobo lhe matou um novilho. Em pouco tempo apareceu o lobo e se uniu à junta com o outro. Este facto está reproduzido na catedral de Saragoça e de Huesca. À sua volta à sua cidade, foi muito bem recebido. Ao morrer, o enterraram na capela de Loret, onde estava sua mulher sepultada.
Felicidades a quem leve estes nomes!
• Agustín Schoeffler, Santo
Sacerdote e Mártir
Agustín Schoeffler, Santo
Agustín Schoeffler, Santo
Nasceu em 22 de Novembro de 1822 em Mittelbronn, Mosela, França.
Na aldeia de Son-Tay, em Tonquín (Vietname), santo Agustín Schoeffler, presbítero da Sociedade de Missões Estrangeiras de Paris, depois de haver exercido durante três anos seu ministério, foi encarcerado e, por ordem do imperador Tu Duc, numa paragem denominada “Cinco Yugadas” foi decapitado, obtendo assim a graça do martírio que cada dia havia pedido a Deus. Era o ano 1851. Foi canonizado em 19 de Junho de 1988 por S.S. João Paulo II. Para ver mais sobre os 117 mártires no Vietname faz "click"
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Aldebrando de Fossombrone, Beato
Aldebrando de Fossombrone, Beato
Etimologicamente significa "governante com a espada", vem do germânico. Nascido em Sorrivoli, Itália, no ano 1119. Realizou seus estudos em Santa María de Porto perto de Ravena. Já como sacerdote foi superior do mosteiro de Rimini. Era conhecido por sua pregação contra a vida em pecado, o que lhe fez ganhar a antipatia de algumas autoridades locais que o ameaçaram matá-lo pelo que ele preferiu sair dessa localidade. Nomeado Bispo de Fossombrone, Itália, no ano 1170, construiu a catedral dessa diocese. Uma das lendas que rodeiam a este Santo conta que uma vez lhe levaram uma perdiz cozinhada para o obsequiar, como ele estava fazendo jejum, orou sobre a ave e esta recuperou a vida e voou. Morreu em Fossombrone em 30 de Abril de 1219.
Brioc de Bretaña, Santo
Brioc de Bretanha, Santo
(Briocus, Brioc, ou Bru) Um santo céltico de Bretanha que recebeu sua educação na Irlanda e logo estudou sob a guia de Santo Germanus, o famoso Santo Germanus de Auxerre. Muito do que podemos ler acerca de seus primeiros anos, o devemos tomar com precaução. Ussher disse que nasceu na Irlanda, mas é muito provável que já estava em França no ano 431, trazendo também com ele a Santo Iltud.Ainda antes de ser ordenado sacerdote, São Brioc fez vários milagres representados em seus “Acts” (editado por F. Godefrid Herschenn), e logo de um breve período, que esteve com seus pais, ingressou na sua carreira de missionário. Em 480, se estabeleceu em Armorica, e fundou um mosteiro em Landebaeron. Dali foi para a Alta Bretanha onde estabeleceu um oratório num lugar conhecido como São Brieuc-des-Vaux, entre San Malo e Land Triguier; desse lugar ele foi nomeado como seu primeiro bispo. Numerosos milagres são citados em seus “Acts”, especialmente a cura do Conde Riguel, a quem o nobre deu seu próprio palácio Champ-du-Rouvre e outras propriedades menores. Os eruditos diferem enquanto à data da morte de San Brioc, mas ocorreu muito provavelmente em 502, ou muito perto no Século VI. Morreu em seu próprio mosteiro de São Brieuc-des-Vaux e foi enterrado na catedral desse lugar, dedicada a Santo Esteban. Baring-Gould indica que San Brioc se representa como “ameaçando a um dragão” ou “com uma coluna de fogo”, como é visto em sua ordenação. Suas relíquias foram trasladadas para a Igreja de São Sérgio e São Bacchus de Angers em 865, e logo novamente de maneira mais solene em 31 de Julho de 1166. Sem embargo, em 1210, uma porção de suas relíquias foi retornada à Catedral de San Brioc, onde se preserva também o anel do santo. A festividade de San Brioc se celebra em 1 de Maio, mas desde 1804, se transferiu ao segundo domingo de Páscoa. Existem igrejas em Inglaterra, Irlanda e Escócia que estão dedicadas a este antigo santo céltico.
• Clemente Septyckyj, Beato
Sacerdote e Mártir
Clemente Septyckyj, Beato
Clemente Septyckyj, Beato
Clemente Septyckyj, era o irmão mais novo do bispo greco-católico Andrés Septyckyj, nasceu em 17 de Novembro de 1869 na vila de Prylbychi, na província de Lviv (Ucrânia).
Em 1911 ingressou na Ordem dos Monges Estuditas de Ucrânia, renunciando a uma prometedora carreira no mundo secular. Foi transferido a Innsbruck para sua formação teológica. Foi ordenado sacerdote em 28 de Agosto de 1915. Durante muitos anos foi parte do mosteiro de Univ de que foi eleito superior em 1944. Já na Segunda Guerra Mundial, com a bênção do Bispo Andrés, ocultou em seu mosteiro a alguns judeus que escapavam da Gestapo. Em 5 de Junho de 1947 o Ministério de Segurança do Estado, mediante decreto, condenou-o a oito anos de trabalhos forçados. Morreu como mártir pela fé em 1 de Maio de 1951 numa prisão russa em Vladimir. Clemente Septyckyj foi beatificado por S.S. João Paulo II em 27 de Junho de 2001 junto com outros 24 mártires ucranianos durante o regime soviético.
O grupo beatificado está integrado por:
1 - Mykolay Charneckyj, Bispo, 2 Abril; 2 - Josafat Kocylovskyj, Bispo, 17 Novembro; 3 - Symeon Lukac, Bispo, 22 Agosto; 4 - Basílio Velyckovskyj, Bispo, 30 Junho; 5 - Ivan Slezyuk, Bispo, 2 Dezembro; 6 - Mykyta Budka, Bispo, 28 Setembro; 7 - Gregorio (Hryhorij) Lakota, Bispo, 5 Novembro; 8 - Gregorio (Hryhorij) Khomysyn, Bispo, 28 Dezembro; 9 - Leonid Fedorov, Sacerdote, 7 Março; 10 - Mykola Konrad, Sacerdote, 26 Junho; 11 - Andrij Iscak, Sacerdote, 26 Junho; 12 - Román Lysko, Sacerdote, 14 Outubro; 13 - Mykola Cehelskyj, Sacerdote, 25 Maio; 14 - Petro Verhun, Sacerdote, 7 Fevereiro; 15 - Alejandro (Oleksa) Zaryckyj, Sacerdote, 30 Outubro; 16 - Klymentij Septyckyj, Sacerdote, 1 Maio; 17 - Severijan Baranyk, Sacerdote, 28 Junho; 18 - Jakym Senkivskyj, Sacerdote, 28 Junho; 19 - Zynovij (Zenón) Kovalyk, Sacerdote, 30 Junho; 20 - Vidal Vladimir (Vitalij Volodymyr) Bajrak, Sacerdote, 16 Maio; 21 - Ivan Ziatyk, Sacerdote, 17 Maio; 22 - Tarsicia (Olga) Mackiv, Monja, 18 Julho; 23 - Olympia (Olha) Bidà, Soror, 28 Janeiro; 24 - Laurentia (Leukadia) Harasymiv, Monja, 26 Agosto; 25 - Volodymyr Pryjma, Laico, 26 Junho (as datas indicadas correspondem às de seu martírio)
• Juan Luis Bonnard, Santo
Sacerdote e Mártir
Juan Luis Bonnard, Santo
Juan Luis Bonnard, Santo
Nasceu em 1 de Março de 1824, em Saint Christot-en-Jarret, povoado do departamento de Loira, França. Estudou nos seminários de Lyon e Aix, sendo ordenado no ano 1848.
Como membro da Sociedade de Missões Estrangeiras de Paris, foi enviado a Hong-Kong, e no ano 1850 mandaram-no a Annam (Indochina). Trabalhou nos distritos de Kebang e Ketrinh, foi preso em Boasujan no ano 1852 por cometer o crime de ser missionário. Encarcerado e julgado em Nadinh foi decapitado junto a
Santo Agostinho Schoeffler em 1 de Maio de 1852. Seu corpo foi arrojado ao rio, mas os cristãos da localidade o resgataram imediatamente para o enterrar no colégio de Vinhtri. Foi canonizado m 19 de Junho de 1988 por S.S. João Paulo II. Para ver mais sobre os 117 mártires no Vietname faz "click" AQUI
• Peregrino Laziosi, Santo
Padroeiro dos enfermos de Câncer e SIDA
Peregrino Laziosi, Santo
Peregrino Laziosi, Santo
Data de canonização: 1726 por Bento XIII Nasceu no ano 1260 numa família acomodada. Passou uma juventude mundana, e participou activamente na política de seu país. Teve ao começo uma forte postura anticatólica. Sem embargo, durante uma rebelião popular, ele feriu ao embaixador papal de paz, o Santo Philip Benizi. O santo Philip com calma lhe deu a outra face, rezou pela juventude, e Peregrino se converteu. Conta a tradição que ele recebeu uma visão de Nossa Senhora em que lhe disse para ir a Siena, Itália, e ali unir-se à Ordem dos Frades Servitas. Depois de uma empenhada educação teológica e sua ordenação, a ordem o indicou para cumprir trabalhos na sua cidade natal. Ele serviu e trabalhou aí tanto como lhe foi possível, no silêncio completo, na solidão, e com o assombroso oferecimento penitente de não se sentar durante 30 anos. O conheciam como um fervente pregador, um orador excelente, e como confessor era conhecido como o mais aprazível e compreensivo. Foi fundador de uma casa da ordem dos servitas em Forli, Itália. Aí se descobriu que padecia de câncer. Um câncer que se estendia em todo seu pé. Peregrino foi programado para uma amputação. Na noite antes da operação, ele a passou em oração; aquela noite recebeu uma visão de Cristo que o curou com um toque. Na manhã seguinte, Peregrino foi encontrado completamente curado. Morreu em casa dos servitas em Forli no ano 1345.
ORAÇÃO A SÃO PEREGRINO, PADROEIRO DOS ENFERMOS DE CÂNCER
Oh Deus, que deste a São Peregrino um anjo como companheiro, a Mãe de Deus como sua mestra, e Jesús como médico para sua enfermidade; te suplicamos nos concedas pelos méritos deste santo, que enquanto vivamos neste mundo amemos intensamente a nosso Anjo da Guarda, à Virgem Santíssima, e a nosso Salvador, e logo no Céu os bendigamos para sempre. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Ámen. Rezar um Pai Nosso, Ave Maria, Glória e a invocação: São Peregrino roga por nós
 

51590 > Sant' Agostino Schoeffler Sacerdote e martire MR
91598 > Beato Aldebrando Vescovo di Fossombrone  MR
90562 > Sant' Amatore di Auxerre Vescovo  MR
51510 > Sant' Andeolo Martire  MR
51560 > Sant' Arigio Vescovo  MR
92747 > Sant' Asaf (o Asaph) Vescovo MR
51530 > San Brioco Vescovo e abate MR
92934 > Beato Clemente (Klymentij) Septyckyj Sacerdote e martire  MR
92639 > Domenica della Divina Misericordia Seconda domenica di Pasqua (celebrazione mobile) - Festa
91571 > San Geremia Profeta  MR
94130 > Santi Giovanni de Zorroza e Giovanni de Huete Mercedari, martiri
90983 > Santi Gistaldo e Gundebado 
92039 > Beato Giuliano Cesarello  MR
27050 > San Giuseppe Lavoratore  - Memoria Facoltativa MR
91480 > Santa Grata di Bergamo
91564 > Sant' Ipolisto Martire 
92871 > San Jean-Louis Bonnard Missionario e martire  MR
51600 > Beata Mafalda Badessa di Arouca MR
51540 > San Marculfo (o Marcolfo) Abate di Nanteuil  MR
51520 > Sant' Orenzio (o Orienzo) di Auch Vescovo  MR
90261 > Santi Orenzio e Pazienza Sposi e martiri 
50900 > San Pellegrino Laziosi Religioso  MR
51580 > Beata Petronilla di Moncel Badessa MR
51550 > San Riccardo Pampuri Religioso  MR
51500 > San Sigismondo Re dei Burgundi e martire  MR
51570 > San Teodardo di Narbonne Vescovo  MR
53250 > San Torquato Vescovo di Guadix  MR
51850 > Beato Vivaldo Eremita  MR
http://es.catholic.net/santoral e www.jesuitas.pt e www.santiebeati.it
Recolha, transcrição e tradução de espanhol para português
por António Fonseca

1 DE MAIO DE 2011


É uma pergunta óbvia.

E com várias respostas.

Vejamos:

Porquê?

Primeiro:  – É Dia de S. José  Operário. no calendário Católico;

Segundo: – É Dia do Trabalhador;

Terceiro: – É Dia da Mãe, também no calendário Católico (e não só…);

Quarto: - É hoje o Dia da Beatificação de João Paulo II, Papa da Igreja Católica que foi Sumo Pontífice desde 1978 a 2005;

Quinto: - É o primeiro Dia do mês de Maria, também no Calendário Católico.

sexto – é o primeiro domingo da semana, deste belo mês de maio.

Temos portanto um dia cheio, neste Ano de 2011.

BOM DIA UM DE MAIO PARA TODOS, SÃO OS MEUS SINCEROS DESEJOS.



António Fonseca

sábado, 30 de abril de 2011

JOÃO PAULO II – Beatificação – 1 de Maio de 2011

Embora não seja hoje o dia dedicado à comemoração de João Paulo II, que segundo informações do Vaticano, será só em meados de Novembro e, dado que amanhã, será realizada a sua Beatificação em Roma, independentemente de outros apontamentos que eu venha a fazer a este respeito (agora ou proximamente), decidi transcrever a biografia (bastante longa…mesmo muito longa) editada no livro “O Papado – 2000 Anos de História”, de autoria de Mendonça Ferreira e Círculo de Leitores. Espero a vossa paciência para a lerem. Obrigado. António Fonseca.

Juan Pablo II, Siervo de Dios

Nasceu a 18 de Maio de 1920, em Wadowice, a 50 quilómetros, de Cracóvia, na Polónia. Chamava-se Karol Josef Wojtyla e era filho de Karol Wojtyla, oficial subalterno do Exército e de Emília Kaczorowska, bordadeira, que também leccionava como professora, tendo ficado órfão de mãe em 1929 e de pai em 1941. Fez a primeira comunhão em 1929 e a confirmação em 1938, ao terminar o ensino secundário na Escola Marcin Wadowita, da sua cidade natal. Matriculou-se na Universidade Jaghellonica, de Cracóvia, e também numa escola de teatro. Quando os nazis ocuparam a Polónia e encerraram a universidade, trabalhou na construção civil e numa fábrica de produtos químicos. Em 1942 assistia aos cursos eclesiásticos do cardeal Adam Stefan Sapieha e trabalhava no Teatro Rapsódico, que era clandestina. Terminada a guerra, ingressou no Seminário Maior de Cracóvia, continuando os estudos sacerdotais e frequentando a Faculdade de Teologia da Universidade de Cracóvia. Foi ordenado sacerdote em 1 de Novembro de 1946, na cripta de S. Leonardo, na Catedral de Cracóvia, pelo cardeal Stefan Sapieha, que o enviou depois para Roma, onde se doutorou em Teologia, em 1948, com o seu teste sobre a fé e nas obras de São João da Cruz. Regressado à Polónia, foi vigário em várias paróquias e retomou os estudos de Teologia e Filosofia, culminados com uma tese sobre a fundação de uma ética católica a partir do sistema ético de Max Scheler, tornando-se professor de Teologia Moral e Ética Social no Seminário Maior de  Cracóvia e na Faculdade de Teologia de Lublin. Em 1958 foi nomeado bispo-auxiliar de Cracóvia, por Pio XII, e em 1964, Paulo VI nomeou-o arcebispo de Cracóvia e cardeal em 1967. Participou no Concílio Vaticano II, fazendo parte das assembleias dos sínodos dos bispos e contribuiu para a elaboração da constituição Gaudim et Spes, elaborando o seu capítulo VI. Karol Wojtila foi sempre um amante do desporto. Na sua juventude jogou futebol como guarda redes do SK Cracóvia e, já pároco, os jovens da sua congregação chamavam-lhe “Wujek” e foi com  o seu amigo Jerzy Janik que esquiou pela primeira vez, tornando-se um entusiasta deste desporto, que praticou até sair da Polónia. Também o ténis era um dos seus desportos favoritos, continuando a praticá-lo mesmo depois de ser papa. Karol Wojtyla teve uma carreira literária, escrevendo até sob o pseudónimo de Andrzej Jawien: A Joalharia (1960), escritos ético-teológicos como Amor Responsável e Fértil, e O Signo da Contradição (1979). Mas o jovem Karol também gostava de poesia e vale a pena incluir aqui o excerto de um dos seus poemas:
“OUÇO OS SEGREDOS DA NOITE DOS REGATOS,   /   SÃO SILENCIOSAS AS PALAVRAS QUE OLHAM AS ESTRELAS   /   TRANSFORMEMOS EM LUAS AS PALAVRAS   / ENTRELAÇADAS NA COROA DE LOUROS DA ALMA   /   TALVEZ ELEVEM DENÚNCIAS… HOJE,   /   TODOS PODEM CONTAR A HISTÓRIA DAS SUAS DORES,   /   A RAPSÓDIA E O DESTINO DO SEU PRÓXIMO.”
O Conclave de 111 Cardeais resolveu, ao fim de cinquenta horas, em 16 de Outubro de 1978, eleger bispo de Roma o cardeal KAROL WOJTYLA, que tomou o nome de JOÃO PAULO II. Era o primeiro papa não italiano nos últimos 456 anos, desde o holandês Adriaan Florizzoon Dedel, que tomou o nome de Adriano VI, em 1522. Ao escolher o nome de João Paulo, tal como o seu antecessor, Karol Wojtyla quis prestar homenagem a João XXIII e a Paulo VI, dois gigantes da Igreja Católica, e com isso assumiu uma enorme responsabilidade. Os seus mais de 26 anos de pontificado viriam a justificar a escolha, pois João Paulo II foi, senão o maior, um dos expoentes máximos do cristianismo no século em que viveu. O mundo não o esquecerá nunca, tal como ele não esqueceu o mundo em que viveu. O seu percurso como sumo pontífice, desde 1978, é tão vasto que teremos de dizer, em síntese, o que foi a vida deste papa que esteve sempre presente junto de todos nós, quer fossem católicos, quer de outras religiões e credos, sem olhar a raças ou sistemas políticos. Um papa que uniu o mundo, que chorou sentidamente a sua partida para a eternidade. Quando lhe foi perguntado, como é da praxe, se aceitava o pontificado, respondeu: «Obedecendo na fé de Cristo Senhor meu, confiado na Mãe de jesus e da Igreja, apesar de tão grandes dificuldades, aceito.» Pouco depois, ao falar à  multidão que o aguardava na Praça de S. Pedro naquele dia 16 de Outubro de 1978, disse-lhes: «Chamaram-me de um país longínquo… Longínquo mas sempre tão próximo pela comunhão na fé e na tradição cristã. Tive medo ao aceitar esta nomeação, mas fi-lo em espírito de obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo e com  total confiança em sua Mãe, Nossa Senhora Santíssima… E assim me apresento a vós todos, para confessar a nossa fé comum, a nossa esperança, a nossa confiança, e também para começar de novo a percorrer um caminho da História e da Igreja, com a ajuda de Deus e com a ajuda dos homens.» Na missa de investidura, na Praça de São Pedro, perante mais de 350 000 fieis, ao proferir a homilia, disse: «Não tenhais medo!», frase que iria marcar todo o seu pontificado. «Não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder. Abri todos os portões a Cristo! Ao Seu poder salvador. Abri-Lhe as fronteiras dos estados, os sistemas económicos e políticos, os imensos domínios da cultura, da civilização, do desenvolvimento. Não tenhais medo! Cristo sabe “o que há no homem”! Só Ele o sabe.» Era todo um programa que acabava de apresentar em poucas e lúcidas palavras e que conseguiu cumprir. Palavras proféticas de um homem forjado nas dificuldades da vida, nas perseguições nazis, nos obstáculos que sempre teve de enfrentar, ajudado pela sua fé imensa e por uma força de carácter que iriam fazer dele um papa ímpar, que juntou o mundo nas suas fortes mãos, procurando uni-lo como nunca antes tinha acontecido. Um mundo que quase totalmente o compreendeu, que o aceitou e que num dia de Abril de 2005 o chorou sentidamente, pondo de lado bandeiras, sistemas, crenças, raças, religiões, porque João Paulo II, um papa sem medo, acabava de deixar o mundo que ele tanto amava, para se encaminhar para o reino do Senhor, que amava igualmente. João Paulo II não se limitou a escrever ao mundo para o ajudar. Saiu de Roma, foi um viajante contínuo e temerário, com uma atividade que só podia ser desempenhada por um homem  de grande compleição física e atlética, ajudado pela sua incomensurável fé e sentido cristão. Um papa acessível, sem protocolos, um homem do mundo, que queria ajudá-lo por isso percorrendo-o incansavelmente. Milhares de quilómetros, o equivalente a cerca de três voltas ao mundo.
VIAGENS
João Paulo II nunca desejou ser um papa estático, viver no Vaticano, acompanhar de longe os problemas do mundo e da sua igreja. Numa das primeiras conversas que teve com os jornalistas, afirmou: «O papa não pode ser um prisioneiro do Vaticano. Quero ir ter com toda a gente… dos nómadas das estepes aos monges e às freiras dos conventos… Quero entrar em todas as casas.» E assim foi. Esteve em 133 países, fazendo 104 viagens: Europa, 50; Ásia, 12; África, 14; América, 27; Oceânia, 1. A sua primeira viagem realizou-se logo três meses depois de ser eleito, de 25/1 a 1/2/1979, à República Dominicana, México e Baamas. Seguiram-se: Polónia, de 2 a 10/6/1979; Irlanda, estados Unidos e Brasil, de 29/9 a 8/10/1979; Turquia, de 28 a 30/11/1979; Zaire, República do Congo, Quénia, Gana, Alto Volta e Costa do Marfim, de 2 a 12/5/1980; França, de 30/5 a 2/6/1980; Brasil, de 30/6 a 12/7/1980; Alemanha federal, de 15 a 19/11/1980; Paquistão, Filipinas, Japão, Guam e Anchorage (EUA), de 16/1 a 27/2/1981; Nigéria, Benim, Gabão e Guiné Equatorial, de 12 a 19/5/1982. Em Portugal esteve, em 13 de Maio de 1982, na capelinha das Aparições, agradecendo à Virgem o desvio da bala no atentado da Praça de São Pedro, salvando-o de uma morte certa. recitou o Acto de Consagração do Mundo ao Coração Imaculado de Maria. Nessa mesma noite escapou a uma tentativa de assassinato por parte de Juan Fernández Krohn, um espanhol que foi ordenado padre, irregularmente, pelo bispo Marcel Lefebvre, em 1978. Nesta visita João Paulo II visitou ainda Vila Viçosa, Sameiro e Porto. Grã-Bretanha, de 28/5 a 2/6/1982; Argentina, 10 a 13/6/1982; Genebra, 15/6/1982; República de São Marino e Rimini, a 29/8/1982; Espanha, de 31/10 a 9/11/1982; Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Guatemala, Honduras, Belize e Haiti, tendo passado por Lisboa, de 2 a 10/3/1983; Polónia, 16 a 23/6/1983; França (Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, 14 e 15/8/1983; Áustria, 10 a 13/9/1983; Coreia, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão e Tailândia, 2 a 12/5/1984; Suíça, 12 a 17/6/1984; Canadá, 9 a 20/9/1984; Saragoça (Espanha), Santo Domingo (República Dominicana) e São João (Porto Rico), 10 a 13/10/1984; Venezuela, Equador, Peru e Trindade e Tobago. Em 31 de Janeiro celebra missa no Peru, nos arredores de Cuzco, antiga capital dos Incas, na antiga cidade inca de Sacsyhuamán, empoleirada nos Andes, 26/1 a 6/2/1985; Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Em Utreque, na Holanda, o papamóvel é atingido por uma bomba de fumo e ovos e até se vêem cartazes que oferecem 6000 dólares pela captura do Papa. João Paulo II, impávido e sereno, segue viagem e festeja o seu 65º aniversário em Malines, na Bélgica, 11 a 21/5/1985; Togo, Costa do Marfim, Camarões, República Centro-Africana, Zaire, Quénia e Marrocos, 8 a 19/8/1985; Kloten (Suiça) e Liechtenstein, 8/9/1985; Índia, 31/1 A 19/2/1986 e a 4 de Fevereiro encontrou-se com Madre Teresa de Calcutá; Colômbia e Santa Lúcia, 1 a 8/7/1986; França, 4 a 7/10/1986; Bangladesh, Singapura, Ilhas Fiji, Nova Zelândia, Austrália e Seychelles, de 18/11 a 1/12/1986; Uruguai, Chile e Argentina, 31/3 a 13/4/1987; Alemanha federal, 30/4 a 4/5/1987; Polónia, 8 a 14/6/1987; Estados Unidos da América e Fort Simpson (Canadá), de 10 a 21/9/1987; Uruguai, Bolívia, Paraguai e Lima (Peru), de 7 a 19/5/1988; Áustria, 23 a 17/6/1988; Zimbabwe, Botsuana, Lesoto, Suazilândia e Moçambique, de 10 a 20/9/1988; Estrasburgo, Metz e Nancy, de 8 a 11/19/1988; Madagáscar, ilhas Reunião, Zâmbia e Malawi, de 28/4 a 6/5/1989; Noruega, Islândia, Finlândia, Dinamarca e Suécia, de 1 a 10/6/1989; Santiago de Compostela e Astúrias. Em Santiago de Compostela, no Dia Mundial, da Juventude, o papa pergunta: «Quer procurais, peregrinos? Sobretudo vós, queridos jovens, que tendes a vida inteira pela frente? (…) Pergunto-vos com as palavras de Cristo: Que quereis? Procurais Deus? A tradição espiritual do cristianismo não só sublinha o significado da nossa procura de Deus como também acentua um facto muito mais importante: é Deus que nos procura e vem ao nosso encontro», de 19 a 21/8/1989; Seul (Coreia do Sul), Indonésia e ilhas Maurícias, de 6 a 10/10/1989; Cabo Verde, Guiné-Bissau, Mali, Burkina Faso e Chade, de 25/1 a 1/2/1990; Checoslováquia, em 21 e 22/4/1990; México e Curaçau, de 6 a 14/5/1990; Malta, de 25 a 27/5/1990; Tanzânia, Burundi, Ruanda e Yamoussoukro, de 1 10/9/1990; Portugal, peregrinação a Fátima, de 10 a 13/5/1991, com visita a Lisboa, A.-ores e Madeira, Polónia, de 1 a 9/6/1991; Polónia e Hungria, de 13 a 20/8/1991; Brasil, de 12 a 21/10/1991; Senegal, Gâmbia e Guiné de 19 a 26/2/1992; Angola e S. Tomé e Principe, de 4 a 10/6/1992; Santo Domingo (República Dominicana), de 9 a 14/10/1992; Benim, Uganda e Sudão, de 3 a 10/2/1993; Albânia, 25/4/1993; Espanha, de 12 a 17/6/1993; Jamaica e Mérida (México), de 9 a 16/8/1993; Zagreb (Croácia), em 10 e 11/9/1994; Manila (Filipinas), Port Moresby (Papua-Nova Guiné), Sidney (Austrália) e Colombo (Sri Lanka), de 12 a 21/1/1995; República Checa, de 30/6 a 3/7/1995; Bélgica, 3 e 4/6/1995; República da Eslováquia, de 30/6 a 3/7/1995; Yaoundé (Camarões), Joanesburgo, Pretória (África do Sul) e Nairobi (Quénia), de 14 a 20/9/1995; sede da ONU, em Nova Iorque, Brooklyn e Baltimore, de 4 a 9/10/1995; Guatemala, Nicarágua, El Salvador e Venezuela, de 5 a 12/2/1996; Tunísia, 14/4/1886; viagem apostólica à Eslovénia, de 17 a 19/5/1996; Alemanha, de 21 a 27/6/1996; Hungria, em 6 e 7/9/1996; França, de 19 a 22/9/1996; Sarajevo, em 12 e 13/4/1997; República Checa, de 25 a 27/4/1997; viagem apostólica a Beirute (Líbano), em 10 e 11/(5/1997; Polónia, de 31/5 a 10/6/1997; França, de 21 a 24/8/1997; Brasil, de 2 a 6/10/1997; Cuba, com celebrações em Havana, santa Clara, Camaguey e Santiago de Cuba, de 21 a 26/1/1998;Nigéria, de 21 a 23/3/1998; Croácia, de 2 a 4/10/1998; Cidade do México e Saint Louis (EUA), de 22 a 28/1/1999; Polónia, de 5 a 17/6/1999; Eslovénia, em 19/9/1999; Nova Deli (Índia) e Geórgia (ex-República Soviética), de 5 a 9/11/1999; Monte Sinai (Egipto), de 24 a 26/2/2000; terra santa, de 20 a 26/3/2000.Em Portugal, João Paulo II vai a Fátima em 12 e 13 de Maio de 2000, para a beatificação dos pastorinhos, Jacinta e Francisco, a quem Nossa Senhora apareceu em 13 de Maio de 1917. Viagem apostólica à Grécia, de 4 a 9/5/2001; Ucrânia, de 23 a 27/6/2001; Cazaquistão e Arménia, de 22 a 27/9/2001; Azerbaijão e Bulgária, de 22 a 26/5/2002; Canadá, Guatemala e México, de 23/7 a 1/8/2002; Polónia, de 16 a 19/8/2002; Espanha em 3 e 4/5/2003; Croácia, em 5/6/2003; Bósnia-Herzegovina, em 22/6/2003; Eslováquia, de 11 a 14/9/2003; Berna (Suíça), em 5 e 6/6/2004, e a última visita da sua extraordinária vida, em 14 e 15 de Agosto de 2004 ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em França. João Paulo teve sempre a preocupação de comunicar com o mundo, quer cristão, quer de outras religiões. Por isso muito escreveu e muito deu a conhecer das suas ideias.
ENCÍCLICAS
Redemptor hominis, de 4/3/1979, salientando a dignidade humana frente aos estados totalitários e à sociedade capitalista de consumo; Dives in Misericordia, de 30/11/1990, proclamando a necessidade de dar novo conteúdo à justiça mediante a misericórdia proclamada pela Igreja; Laborem exercens, de 14/9/1981, elevando a dignidade do trabalho acima da oferta e da procura e apelando ao respeito devido ao homem trabalhador e para os seus direitos pessoais. esta encíclica teve grande repercussão e mereceu de todo o povo trabalhador um agradecimento várias vezes amplamente manifestado; Slavocum Apostoli, de 2/6/1985, no undécimo centenário dos santos Cirilo e Metódio; Dominum et Vivificanten, de 18/5/1986, sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e do mundo; Redemptoris Mater, de 15/3/1987, sobre Maria no Mistério de Cristo; a Mãe de Deus no centro da Igreja peregrina e sua mediação materna; Sollicitudo Rei Socialis, de 30/12/1987, sobre a solicitude da Igreja quanto aos problemas de ordem social; Redemptoris Missio, de 7/12/1990, sobre a validade permanente do mandato missionário, confiado por Cristo aos Apóstolos; Centesimus Annus, de 1/5/1991, sobre a questão social; Veritates Splendor, de 6/8/1993, sobre os fundamentos da moral católica; Evangelium Vitae, de 25/3/1995, sobre o valor e inviolabilidade da vida humana; Ut Unum Sint, de 25/5/1995, sobre o empenhamento ecuménico; Fides et Ratio, de 14/9/1998 sobre as relações entre a Fé a Razão; Ecclesia de Eucharistia, de 17/4/2003, a última, sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja.
CONSTITUIÇÕES
Sapientia Christiana, de 15/4/1979, sobre as universidades e faculdades eclesiásticas; Magnum Matrimonii Sacramentum, de 7/10/1982, sobre a forma jurídica do matrimónio e da família; Sacrae Disciplinae Leges, de 25/1/1983, para promulgar o novo Código de Direito Canónico; Divinus Perfectionis Magister, de 25/1/1983, com nova legislação para a Causa dos Santos. Spirituali militum curae, de 21/4/1986, sobre a nova regulamentação à assistência espiritual aos militares. Pastor Bonus, de 28/6/1988, sobre a reorganização da Cúria Romana; Ex Corde Ecclesiae, de 15/8/1990, sobre as universidades católicas; Fidel Depositum, de 11/10/1882, para publicação do Catecismo da Igreja Católica; Universi Dominici Gregis, de 22/2/1996, reforçando as regras do conclave para a eleição dos papas. Ecclesia In Urbe, de 1/1//1998, sobre o novo ordenamento do vicariato de Roma.
CARTAS APOSTÓLICAS
Rutilans Agmen, de 8/5/1979 sobre a Igreja da Polónia, no nono centenário do martírio de Santo Estanislau; Patres Ecclesiae, de 2/1/1980, na passagem do XVI centenário da Morte de São Basílio; Amantíssima Providentia, de 29/4/1980, no 4º centenário da morte de Santa Catarina de Sena; Sanctorum Altrix, de 11/7/1980, no 4º centenário do nascimento de São Bento, patrono da Europa e mensageiro da paz; Egregiae Virtus!, de 31/12/1980, sobre a Igreja na Passagem do ano; A Concilio Constantinoplitano I, de 25/3/1981, pelo 1600º aniversário do I Concílio de Constantinopla e pelo 1550º aniversário do Concílio de Éfeso; Salvifici Doloris, de 11/21/984, sobre o sentido cristão do sofrimento humano; Redemptoris Anno, de 20/4/1984, sobre a cidade de Jerusalém, património sagrado; Les Grands Mystères, de 1/5/11984, sobre o problema religioso e a paz no Líbano; Dilecti Amici, de 31/3/1985, dirigida aos jovens de todo o mundo; Augustinum Hipponensem, de 28/8/1986, por ocasião do 14º centenário da morte de Santo Agostinho; Sescentesima Anniversaria, de 5/6/1987, dirigida aos bispos da Lituânia; Spiritus Domini, de 1/8/1987, por ocasião do bicentenário da morte de Santo Afonso Maria de Ligório; Duodecimum Saeculum, de 4/12/1987, dirigida ao episcopado da Igreja Católica sobre a veneração das imagens, por ocasião do 12º centenário do II Concílio de Niceia; Euntes In Mundum Universum, de 15/1/1988, a propósito do milénio do baptismo na Rússia; Mulieris Dignitatem, de 15/8/1988, sobre a dignidade da mulher; Vigesimus Quintus Annus, de 4/12/1988, a todos os irmãos no episcopado e no sacerdócio, com saudações e bênção apostólica; Carta Apostólica, de 27/8/1989, por ocasião do cinquentenário do início da Segunda Guerra Mundial; Carta Apostólica, de 7/9/1989, sobre a situação da Igreja Católica no Líbano; Carta Apostólica, de 1/10/1989, no centenário da acção do apóstolo São Pedro; Carta Apostólica, de 29/6/1990, sobre o 5º centenário da evangelização do Novo Mundo; Carta Apostólica,  de 25/3/1993, por ocasião da reestruturação das circunscrições eclesiásticas na Polónia; Ordinario Sacerdotalis, de 22/5/1995, dirigida aos bispos, decretando que a ordenação sacerdotal reservada apenas aos homens deverá ser considerada definitiva; Tertio Millenio Adveniente, de 10/11/1994, propondo o exame final do milénio sobre as «páginas obscuras» da história da Igreja; Orientale Lumen, de 2/5/1995, no centenário da encíclica Orientalium Dignitas, do papa Leão XIII; Carta Apostólica, de 12/11/1995, pelo 4º centenário da União de Brest; Carta Apostólica, de 18/4/1996, pelos 350 anos da União de Uzhorod; Operosam Diem, de 1/12/1996, por ocasião do 15º centenário da morte de Santo Ambrósio; Laetamur Magnopere, de 15/8/1997, para promulgação do Catecismo da Igreja Católica; Divinis Amoris Scientia, de 19/10/1997, na proclamação de Santa Teresa do Menino Jesus como Doutora da Igreja; Dies Domini, de 31/5/1998, dirigida ao episcopado, clero e aos fiéis da Igreja Católica sobre a santificação do domingo; Inter Munera Academiarum, de 28/1/1999, sobre duas academias teológicas pontifícias; Carta Apostólica, de 20/7/2000, por ocasião do 3º centenário da União da Igreja Greco-Romana da Roménia com a Igreja de RomaNovo Millenio Ineunte , de 6/1/2001, dirigida ao episcopado e aos fiéis no termo do Grande Jubileu do Ano 2000; Carta Apostólica, de 12/2/2001, por ocasião do 1700º aniversário do batismo do povo arménio; Carta Apostólica, de 25/7/2001, dirigida ao povo católico da Hungria por ocasião do encerramento do milénio húngaro; Misericordia Dei, de 2/5/2002, sobre alguns aspectos da celebração do sacramento da penitência; Rosarium Virginis Mariae sul Santo Rosario, de 16/10/2002, anunciando a criação dos Mistérios Luminosos e proclamando o Ano do Rosário; Spiritus et Sponsa, de 4/12/2003, no 40º aniversário da constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia; Mane nobiscum Domine, de 7/19/2004, dirigida ao episcopado, clero e fiéis, para o Ano da Eucaristia; Il rapido sviluppoo rápido desenvolvimento»), de 24/1/2005, sobre os desafios das comunicações sociais.
 EXORTAÇÕES APOSTÓLICAS
Catechesi tradendae, de 16/10/1979, com orientações para a transmissão da mensagem de Cristo nos tempos actuais; Familiaris consortio, de 14/9/1981, sobre os problemas da vida cristã; Redemptoris donum, de 29/3/1984, sobre a consagração religiosa à luz do Mistério da Redenção; Reconciliation et penitentia, de 11/12/1984, sobre a missão actual da Igreja na reconciliação e penitência; Cristifidelis laici, de 30/1/1989, sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no Mundo; Redemptoris custos, de 15/8/1989, sobre São José na vida de Cristo e da Igreja; Pastores dabo vobis, de 7/4/1992; Uma esperança nova para o Líbano, Maio de 1997; Ecclesia in America, de Janeiro de 1999, entregue aos bispos sobre a Igreja americana; Ecclesia in Oceania, de 2/11/1001, entre aos bispos sobre a Igreja na Oceânia: Ecclesia in Europa, de 28/6/2003, entregue aos bispos sobre a Igreja na Europa;
CARTAS APOSTÓLICAS EM FORMA DE MOTU PROPRIO
Familia a Deo Instituta , de 9/5/1981, criando o Conselho Pontifício para a Família; Tredecim Anni, de 6/8/1982, com o novo Estatuto para a Comissão Teológica Internacional; Recognito Iuris Canonici Codice, de 2/1/1984, à Comissão pontifícia para a interpretação correta do Código de Direito Canónico; Dolentium Hominum, de 11/2/1985, instituindo a Comissão Pontifical para o serviços pastorais de saúde; Quo Civium Iura, de 2/11/1987, com a condição jurídica dos habitantes do Vaticano; Solicita Cura, de 26/12/1987, sobre o vicariato de Roma e um Tribunal de Apelo, distinto dos outros Tribunais; Ecclesia Dei, de 2/7/1988, de conformidade com a excomunhão do arcebispo Marcel Lefebvre, que em 30/6/1988, na Suiça, procedeu ilegalmente a ordenações episcopais, é instituída uma comissão, com a tarefa de colaborar com os bispos, com os dicastérios da cúria romana e com os ambientes interessados, a fim de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, dos seminaristas, das comunidades ou e cada religioso ou religiosa até agora ligados de diversos modos à Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebrve que desejem permanecer unidos ao sucessor de Pedro na Igreja Católica, conservando as suas tradições espirituais e litúrgicas, de acordo com o protocolo assinado a 5 de Maio pelo cardeal Ratzinger e por monsenhor Lefebrve; esta comissão é composta por um cardeal presidente e por outros membros da cúria romana, em número que se julgar oportuno segundo as circunstâncias; Europae Orientalis, de 15/1/1993, sobre a Igreja na Europa Oriental; Inde a Pontificatus, de 25/3/12993, estabelecendo que o Conselho Pontifício da Cultura e o Conselho Pontifício para o diálogo com os crentes se reúnem num único Conselho; Socialium Scientiarum, de 1/1/1994, instituindo a Academia Pontifícia das Ciências Sociais; Vitae Mysterium, 11/2/1994, instituindo a Academia Pontifícia para a Vida, em defesa integral da vida humana e gestação; Motu proprio, de 30/9/1994, promulgando o estatuto dos deveres de trabalho da sede Apostólica; Stellamaris, de 31/1/1997, sobre o Apostolado do Mar; Ad Tuendam Fidem, de 18/5/1998, inserindo algumas normas no Código de Direito Canónico e no Código dos Cânones das Igrejas Orientais; Apostolos Suos, de 21/5/1998, sobre a natureza teológica e jurídica das conferências episcopais; Proclamazione delle Compatrone d’Europa, de 1/10/1999, proclamação de Santa Brígida da Suécia, Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz como co-padroeiras da Europa; Proclamazione di San Tommaso Moro a Patrono del Governanti e dei Politici, de 31/10/2000, proclamando S. Tomás Moro como patrono dos governantes e dos parlamentares. Sacramentorum sanctitatis tutela, de 10/10/2002, determinando que os delitos graves ficam reservados unicamente para a Congregação da Doutrina da Fé; Misericordia Dei, de 2/5/2002, sobre alguns aspectos da celebração do sacramento da penitência; Congregazione dei Legionari di Cristo, de 26/11/2004, confiando à Congregação dos Legionários de Cristo o cuidado e a gestão do Instituto Pontifício Notre Dame of Jerusalem Center, na cidade de Jerusalém.

BULAS
Aperite Portas Redemptori, de 6/1/1983, no 1950º aniversário da Redenção; Incarnationes Mysterium, de 29/11/1998, na preparação do Jubileu do Ano 2000, onde diz, referindo-se aos mártires que beatificou e canonizou: «Este século que chega ao seu ocaso teve grande número de mártires, especialmente por causa do nazismo, do comunismo e das lutas raciais ou tribais. Pessoas de todas as classes sofreram, pela sua fé, pagando com o sangue a sua adesão a Cristo e à Igreja.» E a terminar: «(…) Olhando para Cristo, façamos nossas as palavras de um antigo cântico polaco: “A SALVAÇÃO VEIO ATRAVÉS DA CRUZ / EIS O GRANDE MISTÉRIO. / TODO O SOFRIMENTO TEM UM  SENTIDO: / LEVA À PLENITUDE DA VIDA.” Com esta fé no coração, que é a fé da Igreja, abro hoje, como bispo de Roma, o terceiro ano de preparação para o Grande Jubileu. Inicio-o no nome do Pai celeste, que “amou de tal forma o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo o que n’Ele acredita (…) tenha uma vida eterna” (Jo 3, 16). Louvado seja Jesus Cristo!» Proclamação do Ano Santo, de 24/12/1999, dizendo: «A Igreja não pode transpor o limiar do novo milénio sem incitar os seus filhos à purificação, pelo arrependimento dos erros, infidelidades, incoerências, atrasos. Reconhecer as quedas de ontem é um acto de felicidade e coragem. Oque abre para todos um novo amanhã 
ENCONTROS IMPORTANTES
Sem olhar a datas nem à importância social das personagens e correndo o risco de falhar alguns, tantos foram, aqui fica o registo de encontros de João Paulo II, um papa que privilegiou as relações públicas, entendendo, como disse algumas vezes, que a falar e a dialogar é que as pessoas se entendem e as questões se resolvem. Andrei Gromyko, ministro dos Negócios estrangeiros da URSS; Jimmy Carter, presidente dos EUA; Isabel II, rainha de Inglaterra, Carlos, príncipe de Gales, Lech Walesa, presidente do Sindicato Polaco da Solidariedade e, em segunda visita, presidente da Polónia; Elio Toaff, rabino da sinagoga de Roma; Ronald Reagan, presidente dos EUA; Yasser Arafat, líder da Organização de Libertação da Palestina; Dalai-Lama, chefe supremo do budismo do Tibete; Dimitrios, patriarca ortodoxo; George Bush, presidente dos EUA; Mikhail Gorbatchov, presidente da URSS; Ytzhak Rabin, primeiro ministro de Israel; Bill Clinton, presidente dos EUA; Fidel Castro, presidente do Conselho de Estado de Cuba, Xeque Akram Sabri, grande mufti de Jerusalém e da Terra Santa; George W. Bush, presidente dos EUA; Teoctisto, patriarca ortodoxo romeno; Helmut Schmidt, chanceler alemão; Jacques Chirac, presidente da França; Kwasniewski, presidente da Polónia; Gerhard Schroeder, chanceler alemão; Boris Yeltsin e Vladimir Putin, líderes russos; Rainier, príncipe do Mónaco; D. Ximenes Belo, bispo de Díli, e Xanana Gusmão, presidente de Timor. A respeito de Timor, refira-se a conversa de João Paulo II com Diogo Freitas do Amaral, quando era presidente da Assembleia Geral da ONU. A uma pergunta de Freitas do Amaral sobre Timor Leste, o papa respondeu duas coisas: «A diplomacia do Vaticano tudo faria para advogar e promover a causa de autodeterminação do povo de Timor-Leste e que todos os dias pela manhã rezava de joelhos pelo povo martirizado de Timor.» Três dias depois, recorda Freitas do Amaral, Timor era independente. João Paulo II gostava de desporto e recebeu muitas embaixadas desportivas e até passou a ser sócio honorário de muitos clubes, mas destacam-se os nomes de alguns dos desportistas recebidos e elogiados pelo papa: Michael Schumacher, pilo to de Fórmula Um; o tenista Boris Becker e os futebolistas Pelé e Eusébio.
ATENTADOS
Em Fevereiro de 1981, no Estádio de Carachi, no Paquistão, durante a missa, um homem fez rebentar uma granada a 50 metros do altar. A explosão feriu duas pessoas e o atacante morreu. Em 13 de Maio do mesmo ano, na Praça de São Pedro, quando o Papa se aproximava da Porta de Bronze da basílica de São Pedro, tinha nos braços uma menina de dois anos, de nome Sandra Bartoli e a devolvia à mãe, ouvem-se disparos e o papa cai ferido. Letizia, uma  jovem freira italiana, agarra o agressor dizendo: «Foi ele! Foi ele!» A polícia detém o agressor, um  turco de nome Mehemet Ali Agca, que teria sido pago para o atentado. O papa, atingido por três balas, no braço direito, na mão esquerda e no abdómen, foi operado durante mais de cinco horas, mas recuperou, considerando um milagre da Virgem de Fátima estar vivo e manifestando-se deste modo: «Agradeço comovido as vossas orações e abençoo-vos a todos. Peço pelo irmão que me feriu, a quem perdoei sinceramente. Ofereço os meus sofrimentos pela Igreja e pelo MundoJoão Paulo II encontrou-se com Ali Agca, em 27 de Dezembro de 1983, na prisão de Rebibbioa e perdoou-lhe dizendo: «pareceu claramente que foi uma mão materna a guiar a trajectória da bala, permitindo que o papa se detivesse no limiar da morte.» Mais tarde, em 16 de maio de 2000, Ali Agca foi indultado depois de cumprir 19 anos de prisão na penitenciária de Ancona e nessa altura disse: “Uma mão divina protegeu o papa na altura do atentado. Sei agora que tudo isto tinha que ver com o terceiro segredo de Fátima.” E prosseguiu: «É um sonho. Dou graças ao papa e sinto-me ajudado pelo seu perdão.»Disse ainda mais: «A Irmã Lúcia, o papa e eu proprio estamos no centro de um misterioso desígnio de Deus. O papa teria sobrevivido mesmo se mil pessoas tivessem disparado contra ele.» Em 13 de Maio de 1982, no Santuário de Fátima, onde o papa fora agradecer à Virgem a sua salvação, o padre espanhol Juan Fernández Krohn tenta matá-lo, não consegue e ali mesmo João Paulo II abraça-o e perdoa-lhe. A justiça, e muito bem, menos bondosa de que o papa, julgou-o e condenou-o a seis anos de prisão.
MEA CULPA
João Paulo II, num gesto sem, precedentes na Igreja católica, toma sobre os seus ombros as culpas de centenas de anos de cristianismo. São muitos os perdões que pede em nome da Igreja que serve (cerca de 98), e deles referiremos os mais importantes. Em 31 de Outubro de 1992 recebe a Academia Pontifícia de Ciências e manda reabrir e examinar o processo de condenação de Galileu Galilei, condenado pela Inquisição em 1613, no pontificado de Urbano VIII, e reabilita-o. Nessa altura, João Paulo II, em defesa das teorias de Galileu em relação à época em que foi condenado por afirmar que a Terra era redonda e girava à volta do Sol, pronunciou esta frase: «Depois de Einstein, o cosmo deixou de ter o mesmo significado.» De 19 a 26 de Fevereiro de 1992, na viagem ao Senegal, visitou na ilha de Gore a Casa dos Escravos e pediu perdão por erros praticados por outros: a escravatura e o tráfico de negros. No domingo de Quaresma do Ano Santo, 12 de março de 2000, na missa celebrada na basílica de São Pedro, João Paulo II pediu perdão pela Igreja Católica, «que cometeu muitos pecados durante a sua história: escravatura, cruzadas, opressão da mulher, caça às bruxas e terríveis torturas perpetradas pela Inquisição.» De 20 a 26 de Março de 2000, na terra Santa, disse: «Eu, papa da Igreja de Roma, peço perdão, em nome de todos os católicos, pelas injustiças infligidas ao longo da história, aos não católicos.» E a finalizar saudou: «A todos os crentes do Islão, que a paz esteja convosco! As-Salumu’alaikum!"»
PAPA MARIANO
A devoção à Virgem Maria já vem de longe. No século XI, por impulso do papa Urbano II, surgem os cânticos marianos ainda hoje utilizados. No século XV, nas festividades em honra de Maria, à Natividade, Anunciação, Purificação e Assunção, juntam-se festividades para a comemorar. A partir do século XVIII as festividades começam a celebrar-se em Maio. Com o Concílio Vaticano II e a justificação doutrinal do culto da Virgem, a própria Igreja apela aos fiéis para promoverem esta fé. Os padres conciliares reafirmam a validade de orações como o Rosário e o Angelus. A devoção de João Paulo II por Maria e, em particular, por Nossa Senhora de Fátima é o reflexo de uma tradição de séculos, enraizada na cultura dos povos cristãos. Em 13 de Maio de 1982, numa cerimónia que decorreu em Fátima, João Paulo II consagra o mundo ao Imaculado Coração de Maria e, em 25 de Maio de 1984, na Praça de São Pedro, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, consagra todo o mundo ao Coração Imaculado de Maria. Depois desta cerimónia, o papa ofereceu ao Santuário de Fátima um dos projéteis co  que foi atingido no atentado de 1981, o qual foi engastado na coroa da imagem em sinal de que João Paulo II atribuía à intervenção de Nossa Senhora de Fátima o ter-se salvo.
FACTOS DO PONTIFICADO
Ao comemorar o 20º aniversário do seu pontificado, em 16 de Outubro de 1998, o papa recebeu milhares de mensagens de felicitações de chefes de Estado, chefes de governo, personalidades e fiéis de todo o mundo, mas uma das mais significativas e importantes veio do bispo chinês, Mattia Duan Tonming, de 90 anos, que não foi autorizado a participar no sínodo asiático do Vaticano na Primavera de 1997 e que numa entrevista telefónica concedida à agência do Vaticano, Fides, saudou o papa garantindo a João Paulo II que «os católicos chineses esperam com fidelidade e oração a sua viagem à China, pois o papa mostrou quer amava muito a igreja da China, ao dedicar-lhe toda  a sua atenção. É por isso que esperamos de todo o coração que ele possa vir um dia ao nosso país.» Refira-se que a China e a Santa Sé não têm relações diplomáticas desde 1957. Em 9 e 10 de Janeiro de 1993 realizou o Encontro Especial de Oração, em Assis, por intenção da paz nos Balcãs, com cristãos, judeus e muçulmanos. João Paulo II realizou 12 sínodos, sendo cinco ordinários, um extraordinário, cinco especiais e um particular, e nove consistórios,em que nomeou 232 cardeais, entre eles, em 21 de Fevereiro de 2001, D. José Policarpo, patriarca de Lisboa e D. Saraiva Martins, presidente da Congregação da Causa dos Santos, na santa Sé. Proclamou 476 novos santos e fez 1320 beatificações, de que destacamos os pastorinhos, Jacinta e Francisco, em 13 de Maio de 2000, e os papas Pio IX e João XXIII, em 3 de Setembro de 2000. Visitou a Sinagoga de Roma em 13 de Abril de 1986, um gesto inédito na Igreja de Roma, e foi o primeiro papa a visitar uma mesquita, em Damasco (Síria), em Maio de 2001. A atividade de João Paulo II foi permanente e inesgotável. para além das viagens, do muito que escreveu, fez mais de 2400 discursos, promoveu 1200 audiências, 426 encontros com reis e chefes de Estado e 193 com primeiros-ministros. Um dos momentos mais altos do pontificado foi o que se referia ao terceiro segredo de Fátima, revelado pela Irmã Lúcia e dado a conhecer ao mundo por João Paulo II, no Grande Jubileu do Ano 2000. O segredo já era do conhecimento do Vaticano, pois chegou ao Arquivo Secreto do Santo Ofício a 4 de Abril de 1957, enviado em sobrescrito fechado, pelo bispo de Leiria, e o primeiro pontífice a ter oportunidade de o revelar foi João XXIII, mas não o fez, tal como o Papa Paulo VI, que optou por não tornar pública essa revelação divina. João Paulo II, depois do atentado de 13 de maio de 1981, solicitou o sobrescrito ao Santo Ofício e por isso só passados quase vinte anos resolveu revelá-lo ao mundo.O último gesto de amor de João Paulo II para com o Santuário de Fátima foi dado ao deixar a indicação de que um lenço branco com as suas iniciais e o rosário pessoal com que rezou durante a sua estada na Clínica Gemelli fossem entregues ao Santuário de Fátima, tendo sido o bispo de Leiria-Fátima o portador dos preciosos objectos e ainda de um açucareiro pertencente ao papa.
DOENÇAS
João Paulo II foi atingido por muitas doenças, mas tinha uma força extraordinária. Quando fez 83 anos declarou: «A condição física e a idade avançada não são obstáculos para uma vida perfeita. Deus não olha às coisas externas, mas à alma.» E quando os jornalistas, com quem sempre se deu muito bem e tratava com afabilidade, lhe faziam perguntas sobre a sua saúde, respondia com graça e certa ironia: «Quando quero saber alguma coisa da minha saúde leio os jornais.» Era assim este homem extraordinário, mas a verdade é que, para além da operação para lhe extrair a bala do atentado de 1981, foi operado em 17 de Julho de 1992, sendo-lhe extraído um tumor benigno no cólon, sujeitando-se ainda a duas operações motivadas por quedas, uma num ombro, em 11 de Novembro de 1993, por ter caído durante uma audiência, e outra em 29 de Abril de 1994, por ter escorregado ao sair da banheira, fraturando o fémur. Em 30 de Abril de 1994, nova operação para implantação de uma prótese. Em 22 de Agosto de 1994, durante a celebração de uma missa nos Alpes, o papa tem um gesto de dor e logo surgem rumores sobre o seu estado de saúde, de tal modo insistentes que em 4 de Setembro corre pelo Vaticano o boato de que o papa morrera e alguns sacerdotes chegam a celebrar uma missa na Basílica de São Pedro pela sua alma, mas o papa, felizmente, estava vivo. Em 25 de Dezembro de 1995, acontece pela primeira vez que João Paulo II é obrigado a interromper a sua bênção urbi et orbe por se sentir mal, e logo aumentaram os rumores sobre a sua saúde. Em 1996 surge uma apendicite aguda e a doença de Parkinson atinge-o também, mas João Paulo II continua a resistir a todos os males e às dores, para prosseguir na sua missão. Em fins de Janeiro, o papa sofre uma recaída com febres altas devido a uma infecção que causou uma septicemia. Em 1 de Fevereiro de 2005 foi internado de urgência na Clínica Gemmeli, em Roma, com problemas respiratórios resultantes de uma gripe, mas regressa ao Vaticano dez dias depois. No dia 24 foi de novo internado devido a uma recaída e é submetido a uma traqueotomia para lhe facilitar a respiração. Não consegue falar. Em 1 de Março parece ter acontecido o milagre, pois João Paulo II recomeça a falar e no dia 13 fala directamente aos fiéis, regressando no mesmo dia ao Vaticano. Passam-se catorze dias e no dia 27, o papa aparece à janela dos seus aposentos no Vaticano para abençoar os católicos no domingo de Páscoa, sem conseguir falar. Os seus gestos comovem o mundo. No dia 30 acontece o mesmo. O papa volta a abençoar os fieis sem conseguir falar, produzindo apenas gestos. O Vaticano anuncia  que o papa está a ser alimentado através de uma sonda nasogástrica para melhorar o seu estado físico, mas no dia seguinte, 31 de Março, o Vaticano anuncia que o papa foi acometido de febres altas provocadas por uma infecção e estava a ser tratado com antibióticos. Não consegue recuperar e na noite de 2 de Abril sucumbe nos seus aposentos do Vaticano, com a Praça de São Pedro cheia de gente que sofria e rezava por ele. Foram estas as suas últimas palavras: «A todos quero dizer uma única coisa:Que Deus vos recompense.” In Manus Tuas, Domine, commendo spiritu meum» ) («nas tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito»). Era o fim. Confirmado o óbito, segundo as regras da Igreja, o corpo de João Paulo II foi transportado para a Basílica de São Pedro e colocado em câmara ardente, onde recebeu, durante dias e noites,  a visita de muitos milhares de fieis que foram levar-lhe um derradeiro adeus, prestando uma homenagem devota e sincera. Na  Missa realizada em frente à Basílica, antecedendo o funeral em 8 de Abril, estiveram presentes, reis, rainhas, chefes de estado, pessoas de destaque no mundo, milhares de fiéis e, principalmente, os chefes das outras religiões, numa homenagem bem merecida ao homem que procurou a união de todos os credos. João Paulo II foi enterrado na cripta sob a Basílica de São Pedro de acordo com o seu testamento, onde escreveu: «No que diz respeito ao funeral, repito as mesmas disposições dadas pelo santo padre Paulo VI, enterro em terra nua e não num sarcófago.» E os milhões de peregrinos que afluíram a Roma começaram, desde logo, a pedir a sua Beatificação, como aconteceu aquando do falecimento de Santo António de Lisboa. Santo ou não, João Paulo II fica na memória de todos os crentes como um homem incomparável que o mundo apreciou e que o futuro nunca esquecerá.

Compilação integral do texto publicado por Círculo de Leitores e escrito por Mendonça Ferreira, respeitando a sua ortografia (com excepção dos parágrafos, para não ser demasiado longa…) por
António Fonseca Estrela 
Estrela Esta publicação é destinada apenas para ser transcrita no meu blogue SÃO PAULO (e Vidas de Santos) em comemoração da Beatificação de Sua Santidade JOÃO PAULO II, que terá lugar amanhã, dia 1 de Maio, na Praça de São Pedro, em Roma.
Recolha através do livro “O PAPADO – 2000 anos de história” – Autor: Mendonça Ferreira – Edição de Círculo de Leitores

Igreja da Comunidade de São Paulo do Viso

Nº 5 801 - SÉRIE DE 2024 - Nº (277) - SANTOS DE CADA DIA - 2 DE OUTUBRO DE 2024

   Caros Amigos 17º ano com início na edição  Nº 5 469  OBSERVAÇÃO: Hoje inicia-se nova numeração anual Este é, portanto, o 277º  Número da ...