quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

BLOGS CATÓLICOS–VÁRIAS NOTÍCIAS

Católicos Fiéis à Tradição


Entrevista com a cantora Elba Ramalho - Aborto, Religião, Feminismo e Nossa Senhora

Posted: 05 Feb 2013 07:37 AM PST

Entrevista concedida ao Diário de Pernambuco
http://www.diariodepernambuco.com.br/

Salve Maria!
Eu não conhecia estas posições da cantora Elba Ramalho, o que me surpreendeu! A abertura dela para falar contra o aborto, sua devoção à Nossa Senhora e tudo mais. É importante ver alguém famoso defender a Fé de forma tão aberta. Que Nossa Senhora a abençoe sempre! (Vale salientar que ela é consagrada a Nossa Senhora)



"Viajo o Brasil inteiro e até fora para palestrar sobre Nossa Senhora. Sou uma estudiosa e filha predileta de Nossa Senhora. Ela é tudo na minha vida." (Elba Ramalho)

[...]
Religião
Eu sempre fui religiosa. Ficava quietinha, do meu jeito. De uns 20 anos para cá estou no percalço de Nossa Senhora. Ela foi me mostrando muitas coisas bonitas. Essa pulseira (aponta para o braço direito) é minha pulseira de consagração. Acho que Deus é uma coisa de cada pessoa. Você pode contemplar uma árvore e ali falar com Deus. Eu medito, eu vou a missa, eu faço caridade. A religiosidade está na minha ação. Eu trabalho com caridade.
Aborto
Não adianta chorar o leite derramado. Todas as mulheres que fizeram aborto devem ter essa busca, da confissão. Eu vou para a igreja. Ao invés de ficar me autojulgando, porque foi um momento de muitos anos atrás, eu era muito jovem. Eu achava o que muitas meninas acham hoje, que não tinha vida, que não tinha nada. Eu fiz algo errado e hoje eu já salvei dezenas de crianças. Meu grande trabalho social é aconselhar as meninas: não é coagir, é aconselhar. Se elas ouvem meu conselho e desistem do aborto, é menos uma criança morta. É mais uma vida no mundo. Foi uma ordem natural: pare de chorar o leite derramado, se recomponha e vá salvar.
Perdão
Hoje me sinto completamente perdoada. A maior alegria da minha vida é quando alguém desiste do aborto. Todos nós devemos acreditar na misericórdia. Quem é que não é pecador? Quem é que não jogou pedra? Quem é que não feriu? Tudo lhe será cobrado um dia. O que eu acho mais maravilhoso em ser uma pessoa que tem fé e é que hoje eu procuro envelhecer com confiança na misericórdia. Ao invés de eu estar me lamuriando, estou fazendo coisas boas. Eu leio o evangelho e ele não está na minha mansão. Está na esquina, no Centro do Recife, na Cracolândia. Então eu procuro fazer aquilo que está na palavra.
Religião na prática
Toda religião deve ser de ação. Não adianta de nada eu ter fé aqui, dizer que eu faço o rosário, leio a Bíblia, sou vegetariana, se um pobre na esquina me pede uma esmola e eu viro o rosto. A melhor parte de mim hoje é a minha doação ao outro. O cotidiano da gente é uma dor. A gente não pode caminhar indiferente ao mundo. Lamentavelmente, a cultura de morte é algo que faz com que o jovem imediatamente já pense no aborto. Pela minha experiência do passado eu digo: olha, não faz (o aborto). Não faz porque depois você vai se arrepender. Vai chorar. Vai ficar com um peso em cima de você. Respeito quem decide fazer isso, mas não vai com meu aval.

Feminismo e perseguição


Já apanhei muito por conta dessa minha luta contra o aborto. Sou perseguida sim. As feministas veem o aborto como o resgate da identidade da mulher. A mulher tem o direito de fazer qualquer coisa com o corpo dela, só que aquela criança, no meu entender, é de Deus e do Estado. É preciso ter responsabilidade. Se toda mulher resolver matar seu filho, qual o futuro da humanidade? E se mata muito. Muitas dessas meninas não tem base. Se você não quer dá para adoção. Eu estou no meio artístico onde quase todos os artistas que eu conheço são a favor do aborto. As feministas me levantam várias faixas nos shows. Anunciam na internet que vão me apedrejar, vão me perseguir. Até isso eu já sofri. Só porque defendo os bebezinhos.
Casta
Sempre querem me arranjar namorado. Por enquanto, estou fechada para um relacionamento. Estou sozinha. Tenho 60 anos. Perdi a virgindade aos 21. Casei umas três, quatro vezes. Estou dando meu testemunho de fé, de fidelidade a Deus. Sou separada, divorciada. Ser casta tem a ver também com a religião, é uma coisa muito pessoal. Uma decisão de cada um. Eu posso um dia encontrar um bom José e me casar de novo. Eu estou tranquila. Esses trabalhos todos que eu faço não me deixam tempo para pensar em ninguém. É muito show, tenho minhas filhas do coração, meu filho Luan, tenho muita coisa para fazer.

A Paixão de Cristo nos abriu as portas do Céu

Posted: 05 Feb 2013 12:00 AM PST

A PAIXÃO DE CRISTO NOS ABRIU AS PORTAS DO CÉU

«Temos confiança de entrar no santuário pelo sangue de Cristo» (Jo 12, 24)
Portas fechadas são um obstáculo a nos impedirem a entrada. Ora, os homens estavam impedidos de entrar no reino celeste por causa do pecado; pois, como diz a Escritura (Is 35, 8), haverá um caminho que se chamará o caminho santo e não passará por ele o impuro. Ora, há duas espécies de pecado que impedem a entrada no reino celeste:
1. Um é comum a toda a natureza humana, e esse é o pecado de nossos primeiros pais, o qual fechou ao homem a entrada do reino celeste. Por isso, como lemos na Escritura (Gn 3, 24), depois do pecado do primeiro homem, pôs Deus um querubim com uma espada de fogo e versátil para guardar o caminho da árvore da vida.
2. Outro é o pecado especial de cada pessoa, cometido por ato próprio de cada um.
Ora, pela Paixão de Cristo fomos liberados, não só do pecado comum de toda a natureza humana, tanto quanto à culpa como quanto ao reato da pena, porque Cristo pagou o preço por nós, mas também dos pecados próprios de cada um de nós, que comungamos com a sua Paixão pela fé, pela caridade e pelos sacramentos da fé. E assim, pela Paixão de Cristo se nos abriram as portas do reino celeste. E tal é o que diz o Apóstolo (Heb 9, 2): Estando Cristo já presente, pontífice dos bens vindouros, pelo seu próprio sangue entrou uma só vez no santuário, havendo achado uma redenção eterna. O mesmo significa a Escritura (Nm 35, 25) onde diz que o homicida ali ficará, i. é na cidade a que se tinha refugiado, até à morte do sumo sacerdote, que foi sagrado com o óleo santo; e morto este, poderia voltar aquele para sua casa.
Os santos Patriarcas, tendo praticado obras justas, mereceram a entrada no reino do céu pela fé na Paixão de Cristo, segundo aquilo do Apóstolo (Heb 11, 33): Os Santos pela fé conquistaram reinos, obraram ações de justiça; pela qual também cada um se purificava do pecado, o quanto condizia com a purificação da pessoa própria. Mas a fé ou a justiça de cada um não bastava para remover o impedimento proveniente do reato de toda a natureza humana. Mas esse impedimento foi removido pelo preço do sangue de Cristo. Por onde, antes da Paixão de Cristo, ninguém podia entrar no reino celeste, i. é, alcançando a beatitude eterna, consistente no gozo pleno de Deus.

Cristo pela sua Paixão mereceu-nos a entrada no reino celeste e removeu o obstáculo que no-lo impedia. Mas, pela sua ascensão, como que nos introduzia na posse do reino celeste. Por isso a Escritura diz (Mq 2, 13) que aquele que lhes há de abrir o caminho irá adiante deles.
IIIa q. XLIX a. VI
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

********************

IPCO - Instituto Plinio Corrêa de Oliveira


Eslováquia: Parlamento rechaça ‘casamento’ homossexual

Posted: 05 Feb 2013 01:41 PM PST

Agência Boa Imprensa (ABIM) - O Parlamento da Eslováquia rechaçou, por 129 votos contra 14, um projeto de lei apresentado por partidos de oposição para legalizar as uniões homossexuais.

Durante dois dias de intenso debate, os defensores do matrimônio segundo o…

É possível um relativismo absoluto?

Posted: 05 Feb 2013 02:32 AM PST

Reflexões sobre o atual ateísmo relativista
Pe. Anderson Alves

Roma, 28 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Em um texto anterior[i], nos perguntávamos se fosse possível conciliar o relativismo e o ateísmo. E víamos que,…

***********************

LUCERE ET FOVERE


A Fé - Creio na Igreja

Posted: 05 Feb 2013 01:27 PM PST

Um caminho já começado mas ainda não acabado: A Fé - Creio na Igreja



As duas questões principais do artigo da Fé sobre o Espírito Santo e a Igreja

Claro está que não pode ser nossa intenção desenvolver, no presente contexto, uma doutrina completa da Igreja; prescindindo das questões teológico-técnicas isoladas, tentaremos apenas identificar brevemente o verdadeiro motivo da irritação que nos acomete e atrapalha quando pronunciamos a fórmula "Santa Igreja Católica”, procurando, então, encontrar uma resposta condizente com a intenção implícita no texto da própria profissão de fé. […] Mesmo assim, convém exteriorizar aqui o que nos aflige nesta passagem. Se formos sinceros, teremos de admitir que gostaríamos de afirmar que a Igreja não é nem santa, nem católica. O próprio Concílio Vaticano II teve a coragem de não falar apenas da Igreja santa, mas também da Igreja pecadora; se há uma crítica a fazer ao concílio, só pode ser a de ter sido até muito tímido na sua afirmação tendo em vista a intensidade da impressão de pecaminosidade da Igreja na consciência de todos nós.

Para além da santidade da Igreja, parece-nos questionável também a Sua catolicidade. A túnica de uma só peça do Senhor foi rasgada em pedaços pelos grupos contraentes e a Igreja una foi dividida em muitas igrejas, cada uma das quais afirma com mais ou menos intensidade ser a única autêntica. Desta maneira, a Igreja tornou-se hoje para muitos o principal obstáculo à fé. Eles só conseguem ver os esforços humanos em demanda do poder e as táticas mesquinhas daqueles que, afirmando serem os administradores oficiais do cristianismo, mais parecem atrapalhar a manifestação do verdadeiro espírito cristão.

Não há nenhuma teoria que possa refutar definitivamente estes pensamentos de fundo meramente racional; por outro lado, eles também não são de origem puramente racional, misturados que estão com a amargura de um coração eventualmente muito decepcionado com as suas expectativas elevadas e que, no seu amor magoado e ferido, só é capaz de sentir que se desmorona a sua esperança.

Como responder, então? Em última análise, só nos resta confessar o motivo que nos leva, apesar de tudo isso, a amar esta Igreja na fé, a ousar reconhecer, mesmo por detrás desse rosto desfigurado, o rosto da santa Igreja. Mas comecemos, mesmo assim, pelos elementos objetivos. Já vimos que a palavra «santa» em todos esses enunciados não se refere à santidade de pessoas humanas - trata-se, na verdade, de uma alusão ao dom divino que concede a santidade no meio da imperfeição humana.

No«símbolo», a Igreja não é qualificada de «santa» por se pensar que os seus membros são todos seres humanos santos e sem pecados; esse sonho, que reaparece em todos os séculos, não combina com o contexto lúcido do nosso texto, por mais que corresponda à expressão de um desejo profundo do ser humano, que não o abandonará até que um novo céu e uma nova terra lhe dêem realmente o que este nosso mundo não é capaz de lhe proporcionar. […] Mas, voltemos ao ponto de partida: a santidade da Igreja consiste naquele poder de santificação que Deus exerce nela apesar da pecaminosidade humana. É esse o verdadeiro sinal da «nova aliança» em Cristo, o próprio Deus prendeu-Se aos homens, deixou-Se prender por eles. A Nova Aliança já não se baseia no cumprimento mútuo do acordo, porque ela é graça concedida por Deus, a qual não recua diante da infidelidade do ser humano. Ela é a expressão do amor ele Deus que não se deixa vencer pela incapacidade do ser humano; pelo contrário, Deus quer bem ao ser humano apesar de tudo e sem cessar; aceita-o precisamente como ser pecador, dirigindo-Se-lhe para o santificar e amar.

Como a liberalidade da entrega do Senhor nunca foi revogada, a Igreja continua a ser sempre santificada por Ele e é nela que a santidade do Senhor se torna presente entre os homens. É verdadeiramente a santidade do Senhor que se torna presente e que escolhe como recetáculo da sua presença, num amor paradoxal, também e precisamente as mãos sujas dos homens. Ela é santidade que resplandece como a santidade de Cristo no meio do pecado da Igreja.[…]

Demos mais um passo em frente. No sonho humano de um mundo perfeito, a santidade é imaginada como isenção do pecado e do mal, e não como algo que se mistura com eles; […] O que escandalizava os contemporâneos de Jesus em relação à sua santidade era a ausência absoluta de uma atitude julgadora: Ele nem lançava um raio sobre os indignos, nem autorizava os zelosos a arrancarem a erva daninha que viam proliferar. Pelo contrário, a sua santidade manifestava-se precisamente na promiscuidade com os pecadores que eram atraídos por Jesus; essa mistura indiscriminada chegou ao ponto de Ele mesmo ser transformado "em pecado», tendo de carregar, pela sua execução, a maldição da lei, que o levou a associar inteiramente o seu destino ao dos perdidos (cf. 2Cor 5,21; Gal 3,13). Ele atraiu a Si o pecado, fazendo com que este se tornasse parte d'Ele, para assim revelar o que é a verdadeira "santidade»:

Não discriminação, mas união, não julgamento, mas amor que salva. Não é a Igreja simplesmente a continuação dessa atitude de Deus que se mistura com a miserabilidade humana? […]

Confesso que, para mim, essa santidade imperfeita da Igreja é um consolo infinito. Não deveríamos desesperar diante de uma santidade que fosse imaculada e que só pudesse manifestar-se julgando-nos e queimando-nos? E quem poderá afirmar que não precisa de ser apoiado e sustentado pelos outros? […]

A Igreja não está em primeiro lugar nos órgãos que a organizam, reformam, governam, e sim naqueles que simplesmente crêem e recebem nela o dom da fé que se torna a sua vida.

Com isto chegamos à outra palavra que o «Credo» usa para qualificar a Igreja:«católica». São muitas as nuances de sentido que acompanham este termo desde a sua origem. Mas existe nele uma ideia principal que pode ser comprovada desde o início: trata-se de uma palavra que remete duplamente para a unidade da Igreja; em primeiro lugar, ela indica a unidade local da Igreja: só a comunidade unida ao bispo é «Igreja Católica»; os grupos que se separaram dessa Igreja local por qualquer razão não são «católicos». Em segundo lugar, o termo refere-se à unidade das muitas igrejas locais entre si; elas não podem fechar-se em si mesmas, pois, para serem Igreja, precisam de estar abertas umas às outras, formando a Igreja una no testemunho comum da palavra e na comunhão da mesa eucarística que recebe a todos em qualquer lugar. […]. Os elementos fundamentais da Igreja são o perdão, a conversão, a penitência, a comunhão eucarística e, a partir dela, a pluralidade e a unidade: a pluralidade de igrejas locais que só podem ser consideradas Igreja na medida em que se inserem no organismo da Igreja una. O conteúdo da unidade é formado sobretudo pela palavra e pelo sacramento: a Igreja é una pela palavra una e pelo pão uno. A estrutura episcopal aparece no fundo como meio dessa unidade.


“Introdução ao Cristianismo”. Joseph Ratzinger. Principia. 2005. Pg 248-253


HÉLDER GONÇALVES

Quaresma–Mensagem do Papa Bento XVI - 7 de Fevereiro de 2013

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA


Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2013

Posted: 04 Feb 2013 08:25 AM PST


MENSAGEM
Crer na caridade suscita caridade
"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele"
(1 Jo 4, 16)
Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2013

Queridos irmãos e irmãs!

A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da ação do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: "Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele" (1 Jo 4, 16), recordava que, "no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um 'mandamento', mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro" (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e "apaixonado" que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: "O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está 'concluído' e completado" (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os "agentes da caridade", a necessidade da fé, daquele "encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor" (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - "caritas Christi urget nos" (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

"A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir" (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente "o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado" (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o "sim" da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma "fé que atua pelo amor" (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é "caminhar" na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma "dialética". Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra "caridade" à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o "serviço da Palavra". Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer "enamorar do Amor", para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: "É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos" (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:"Abbá! – Pai!" (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: "Jesus é Senhor!" (1 Cor 12, 3) e "Maranatha! – Vem, Senhor!" (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé ("saber-se amado por Deus"), mas deve chegar à verdade da caridade ("saber amar a Deus e ao próximo"), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012

Post 7-2-13  -   23H35  ANTÓNIO FONSECA

Les Fontaines de Dubai Pleurent whitney Houston


 
 
<iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/No_GwEHXc5A" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>
 

<iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/1MEaTz4dGmk" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>
 
 
<iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/1cpUSwQj57M" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>
 
7 de Fevereiro de 2013
ANTÓNIO FONSECA

Igreja da Comunidade de São Paulo do Viso

Nº 5 801 - SÉRIE DE 2024 - Nº (277) - SANTOS DE CADA DIA - 2 DE OUTUBRO DE 2024

   Caros Amigos 17º ano com início na edição  Nº 5 469  OBSERVAÇÃO: Hoje inicia-se nova numeração anual Este é, portanto, o 277º  Número da ...