Nº 1588 - (3)
BOM ANO DE 2013
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Caros Amigos:
Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)
segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.
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LEÃO XI
Leão XI
(1605)
Eleito em 1 de Abril de 1605, o cardeal Alessandro de Médicis adoptou o nome de seu tio Leão X, passando a chamar-se Leão XI.
Havia grande expectativa nesta eleição, conhecidos os seus êxitos diplomáticos e qualidades humanas, que lhe auguravam um pontificado edificante, mas faleceu 26 dias depois de eleito, aos 70 anos de idade.
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PAULO V
Paulo V
(1605-1621)
O conclave dividia-se entre as influencias espanhola e francesa, até que, em 16 de Maio de 1605, foi escolhido o cardeal Camilo Borghesi, que tomou o nome de Paulo V.
Logo que foi eleito ordenou que os prelados e cardeais residentes em Roma regressassem às respectivas Sés, porque o Concílio de Trento decretara ser pecado grave que um bispo estivesse ausente da sua Sé.
Teve de enfrentar a insolência de Veneza, cujo Senado proibira a construção de novas igrejas sem a sua autorização. O papa optou pela excomunhão, o que colocou contra si a Holanda e a Inglaterra. O clero veneziano dividiu-se, com os Jesuítas e Capuchinhos ao lado do papa e só em 1607, por intervenção de Henrique IV, de França, Veneza cedeu.
Na França eram visíveis os avanços do galicanismo e apenas em 1615 o clero francês acatou por inteiro os decretos tridentinos.
Paulo V distinguiu-se com obras de grande envergadura nos Estados Pontifícios. Melhorou a rede de estradas e a navegabilidade do rio Tibre, secou as regiões pantanosas à volta de Roma, fortificou a cidade de Ferrara, construiu aquedutos e terminou a Basílica Vaticana, que por isso ostenta o seu nome na fachada.
Em 1612 devolveu a Roma as águias que Trajano trouxera para o seu aqueduto, construiu em Gianiculo o famoso Centro de Acqua Paola e as duas fontes da Praça de São Pedro.
Ocupou-se também dos camponeses pobres, da situação religiosa do clero e da estrita observância dos decretos de Trento.
Teve um encontro com Galileu para o advertir a não propagar as suas ideias sobre a teoria heliocêntrica de Copérnico e aumentou consideravelmente o fundo da Biblioteca Vaticana.
A Paulo V coube a glória de elevar aos altares Santo Inácio de Loiola, São Francisco Xavier, São Carlos Borromeu, São Filipe de Néri, Santa Teresa de Jesus e Santo Isidro.
Em 1614 publicou o Ritual Romano e outros livros litúrgicos.
A ele se deve a instituição definitiva da adoração perpétua do Santíssimo Sacramento, estabelecendo normas para a prática das chamadas «Quarenta Horas», vinda já do pontificado de Clemente VIII.
Durante o seu pontificado, em 1606, os Irmãos da Caridade ou Hospitaleiros de São João de Deus, provenientes de Espanha, estabeleceram-se em Portugal (Montemor-o-Novo).
Paulo V faleceu depois de um pontificado fecundo, sendo os seus restos mortais trasladados para a Capela Borghesi, por ele mandada construir em Santa Maria Maior.
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GREGÓRIO XV
Gregório XV
(1621-1623)
O conclave teve uma votação muito dividida, devido aos interesses da França e da Espanha e, em 9 de Fevereiro de 1621, acabou por ser eleito o cardeal Alessandro Ludovisi, que tomou o nome de Gregório XV e foi coroado em 14 do mesmo mês.
Já velho e doente, foi o primeiro papa proveniente de alunos dos jesuítas.
Logo que eleito, colocou à frente da Secretaria de Estado o sobrinho Luís Ludovisi, que fez cardeal e era considerado um jovem de grande talento. Horácio, seu irmão, foi comandar a esquadra papal.
Começou por publicar novas normas para eleição dos papas. As votações seriam, por escrutínio secreto, duas vezes por dia, cada cardeal apenas podia votar num candidato e nunca em si próprio, depositando-se os votos acompanhados do juramento dos cardeais eleitores de que tinham votado segundo a sua consciência e sem opressões de ninguém.
Com a bula Aeterni Patris Filius, de 1621, estabeleceu as três modalidades para a eleição de um novo papa; a eleição por inspiração, adoração ou aclamação. A bula Decet Romanum Pontificem, de 1622, precisava de forma mais concreta os pormenores do cerimonial.
Estas normas e as bulas não impediam o direito de veto que algumas nações possuíam, o que só terminou em 1904, com São Pio X.
Criou a Congregação da Propaganda Fide («propagação da fé»), uma espécie de «ministério pontifício das missões», dependente unicamente da Santa Sé, e instituiu a festa em honra de Santa Ana e de São Joaquim, para testemunhar a sua devoção à Santíssima Virgem.
Pela bula Sanctissimus Dominus Noster proibiu que se afirme ter sido Maria concebida com a mancha do pecado original.
Canonizou Santo Inácio de Loiola, São Francisco Xavier, São Filipe de Néri e Santa Tersa de Ávila.
Depois de um pontificado breve, mas fecundo, faleceu a 8 de Julho de 1623 e foi sepultado em São Pedro. Anos mais tarde foi trasladado para a Igreja de Santo Inácio.
O seu epitáfio é elucidativo e termina assim: «Lugendus semper quod imperasse parum» (=chorar-se-á sempre que tão pouco tempo tivesse governado=).
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Este Post era para ser colocado em 14-3-2013 – 10H30
ANTÓNIO FONSECA