sábado, 9 de março de 2013

Nº 1577-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (75) - 3 de Março de 2013

Nº 1577 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)

segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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BONIFÁCIO IX

Bonifacio IX

Bonifácio IX

(1389-1404)

A eleição do sucessor de Urbano VI podia ter acabado com o Cisma do Ocidente, se os cardeais eleitores tivessem optado pelo antipapa Clemente VII, tornando-o legítimo, mas os cardeais, fiéis a Roma, escolheram, em 2 de Outubro de 1389, o cardeal Pietro Tomacelli, que tomou o nome de Bonifácio IX.

Apesar de jovem (tinha 35 anos), sem grande saber teológico, era uma pessoa que se impunha pelas suas qualidades de carácter: afável e compreensivo.

Logo que foi eleito esforçou-se pela pacificação, estabelecimento da ordem e pelo fomento das diversas obras públicas dos Estados Pontifícios.

No intuito de acabar com o cisma, não responde a Clemente VII quando este o excomungou e, pelo contrário, fez-lhe saber que o único caminho para a reconciliação seria a completa submissão ao único pontífice, o residente em Roma. Bonifácio IX prometia tratá-lo com  clemência e fazê-lo seu representante em França.

É então que a Universidade de Paris propõe um concílio ecuménico como solução: tanto Clemente VII como Bonifácio IX deviam abdicar. Os cardeais de Avinhão concordam, mas, entretanto, Clemente VII morre de apoplexia.

Em 1394, os cardeais de Avinhão, esquecendo todos os pedidos, elegem um novo antipapa, o cardeal de Aragão, Pedro de Luna, que tomou o nome de Bento XIII e que, logo que foi eleito, recusou a abdicação.

O rei Carlos VI, de França e a Universidade de Paris, pedem às cortes europeias para fazerem pressão para que as duas partes litigantes permitam uma nova eleição com legitimidade assegurada. A Universidade de Oxford, porém, não admitia dúvidas, pois estava com Bonifácio IX.

Em Maio e Junho de 1398, reúne-se em Paris uma assembleia de bispos, clero e doutores, que, após longos debates, toma a resolução de negar obediência a Bento XIII, tratando-o como perjuro, pois antes de ser eleito era favorável à renúncia de ambos os papas para se fazer nova eleição e agora se negava a abdicar.

O povo continuava desnorteado, até pelas profecias de que o fim do mundo viria com o fim do século.

Depois de muitas opressões, do rei de França e da Universidade de Paris, o antipapa Bento XIII envia uma embaixada a Roma, a propor um encontro conciliador, mas tal não foi possível porque Bonifácio faleceu em 1 de Outubro de 1404.

Segundo o abade de Cedovim, Joaquim de Azevedo, foi Bonifácio IX que «erigiu em arcebispado a metrópole de Lisboa».

 

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INOCÊNCIO VII

Inocencio VII

Inocêncio VII

(1404-1406)

Com a morte de Bonifácio IX e com o antipapa Bento XIII a prometer que iria renunciar aos seus supostos direitos, os cardeais eleitores, de Avinhão e de Roma, esperavam eleger um papa inteiramente legítimo e acabar com o cisma, mas os legados de Bento XIII mostraram-se evasivos, não dando garantias seguras sobre a prometida renúncia, pelo que o conclave elegeu, em 12 de Outubro de 1404, o cardeal Cósimo Migliorati, que tomou o nome de Inocêncio VII.

Após a eleição, Bento XIII fingindo querer resolver o problema, dirige-se para Génova acompanhado de forte escolta armada e propõe um encontro com Inocêncio VII. O papa, informado dos verdadeiros intentos do antipapa, negou-se a ir ao seu encontro.

O rei de Nápoles instiga tumultos em Roma e Inocêncio VII foi obrigado a fugir para Viterbo, de onde só regressou no principio de 1406.

Durante o pouco tempo calmo que teve em Roma, dedicou-se à reforma da Universidade de Roma, criando novas cadeiras de Medicina, Filosofia, Lógica, Retórica e de Língua e Literatura Grega e levando para ali ensinar dois grandes humanistas: Poggio Bracciolini e Leonardo Bruni.

Morreu em Roma, sendo sepultado em São Pedro.

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GREGÓRIO XII

Gregorio XII

Gregório XII

(1406-1415)

Os 14 cardeais fiéis a Roma comprometeram-se a renunciar ao pontificado, se algum deles fosse eleito, com a condição de Bento XIII também renunciar, muito embora semelhante compromisso fosse canonicamente irregular.

A eleição deu-se, em 30 de Novembro de 1406, e foi escolhido o cardeal Ângelo Corrario, que tomou o nome de Gregório XII.

Logo que foi eleito, enviou cartas a Bento XIII, aos cardeais de Avinhão, à Universidade de Paris e aos soberanos cristãos, mostrando-se disposto a renunciar, se Bento XIII fizesse o mesmo, com vista a acabar com o cisma e a promover a desejada união.

Bento XIII recusa-se a renunciar e o rei de França manda prender o antipapa, mas ele consegue fugir para Aragão.

Por sugestão do rei de França, os cardeais de Avinhão abandonam, Gregório XII e resolvem convocar um concílio para Pisa, onde a 25 de março de 1409 pretendem depor Gregório XII e Bento XIII e eleger um novo papa. Em 5 de Junho de 1409 ambos os papas foram depostos como favorecedores do cisma, hereges e perjuros.

Em 26 de Junho de 1409 elegem um novo papa, Pietro Filargo, que tomou o nome de Alexandre V.

Deu-se então, uma incrível situação, inédita na história da Igreja. Como os dois papas depostos não aceitavam essa determinação e tinha sido eleito um novo papa, existiam três papas e o cisma, em vez de terminar, agravava-se.

Os patriarcas de Alquileia e Veneza, adeptos da causa de Alexandre V, tentam um golpe para se apoderarem de Gregório XII, mas este conseguiu fugir para Gaeta, no reino de Nápoles, ao mesmo tempo que Alexandre V, auxiliado pelas tropas de Louis de Anjou, se apoderava dos Estados Pontifícios. Pouco depois, quando seguia para Roma, Alexandre V foi surpreendido pela morte.

Os cardeais que o apoiavam não desistem nem perdem tempo e elegem, rapidamente, novo antipapa, desta vez Baltazar de Cossas, que toma o nome de João XXIII e que se instala em Roma, enquanto Gregório XII foge para Rimini, mas por pouco tempo, pois o rei de Nápoles consegue expulsá-lo.

Gregório XII acolhe-se à proteção de Segismundo, imperador germânico, e este, aproveitando-se dele, convoca o Concilio de Constança.

João XXIII aceita o concílio, pensando que ia ganhar, mas quando percebeu que a ideia era depor os três papas, consegue fugir, indo pedir proteção ao duque Frederico da Áustria.

Depois de alguma perturbação, o concílio continuou e João XXIII, prisioneiro do imperador, aceita humildemente a sua deposição e Gregório XII, através dos seus legados, abdicou nesse concílio, em 4 de Julho de 1415. Estrela

Restava Bento XIII, que continuava renitente, e o mesmo concílio acabou por destitui-lo em 26 de Julho de 1417, proibindo os fiéis, com severas penas, de lhe prestarem obediência.

Gregório XII, depois de renunciar, morreu passados dois anos, em Recanati, vinte dias antes da eleição do novo papa, Martinho V, este indiscutivelmente, o legitimo sumo pontífice.

Estrela  Como se verifica este papa foi o 2º (realmente eleito) que abdicou do Pontificado – embora tenha sido deposto conciliarmente e em condições absolutamente inéditas – conforme está expresso neste texto, (em que durante cerca de 9 anos, chegou a haver 4 papas, embora só 3 o tivessem sido ao mesmo tempo, e com  exceção deste (Gregório XII), todos os outros foram antipapas) 

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 3-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

Nº 1576-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (74) - 2 de Março de 2013

Nº 1576 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)

segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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BEATO URBANO V

Beato Urbano V

Beato Urbano V

(1334-1342)

Os cardeais eleitores pretendiam mais uma vez eleger um papa francês, e perante a recusa do cardeal Hugo Roger, irmão de Clemente VI, escolheram, em 28 de Setembro de 1362, o Abade de São Vítor, Guilherme de Grimoard, que tomou o nome de Urbano V, dizendo que o fazia porque «todos os papas que levaram este nome, foram santos».

Logo que foi eleito deu nova dinâmica à Cúria, exigindo mais brevidade no despacho dos assuntos e dando ele próprio o exemplo de atividade.

O seu pontificado ficou assinalado pelo envio de missionários para as Índias, China e Lituânia, pela pregação de uma nova cruzada, pelo apoio que deu aos estudos eclesiásticos e por diversas reformas que levou a efeito na administração da Igreja.

Depois de renovar a excomunhão de Inocêncio VI contra Pedro IV, rei de Castela, assassino de sua mulher e polígamo, autorizou Henrique de Trastâmara, seu irmão, a destroná-lo.

Em 1367, Urbano V achou que era a altura de voltar a Roma. Em 30 de Abril põe.-se a caminho de Marselha e em 19 de Maio embarca, acompanhado de 60 galeras que as principais cidades marítimas italianas tinham enviado ao seu encontro. Em 3 de Junho desembarcou em Corneto e em 16 de Outubro fez a sua entrada triunfal em Roma.

Os monarcas começaram a chegar à Cidade Eterna em sinal de cortesia. A rainha de Nápoles, o rei de Chipre, o imperador Carlos IV e, principalmente, João Paleólogo, imperador bizantino, fazendo uma solene abjuração do Cisma do Oriente, proclamando a sua fé católica e o firme desejo de se empenhar na união das duas igrejas. Infelizmente a desejada união não se deu, pois os Bizantinos não secundaram a ideia e os monarcas ocidentais não reagiram favoravelmente para debelar o perigo turco, que se verificou quando tomaram Constantinopla, as possessões de Veneza, bem como a Bulgária, a Sérvia e a Roménia, enquanto os ocidentais olhavam mais os seus interesses económicos do que as questões da fé.

A agravar a situação, a França e a Inglaterra, depois de uma curta paz, voltaram a envolver-se em guerra, pelo que, em 26 de Dezembro  de 1370 o papa regressou a Avinhão. Aí, mudou-se para casa do irmão, por não desejar acabar a vida num palácio e por sua ordem as portas de casa estavam sempre abertas para que todos pudessem entrar livremente  e ver «como morre um papa».

Faleceu num pobre leito, vestido com o seu modesto hábito monacal.

Urbano V foi um papa piedoso e austero, tendo-se empenhado em reformas necessárias e em acabar com os abusos na acumulação de benefícios e no absentismo de muitos prelados que, vivendo fora das dioceses, usufruíam as regalias do título sem se preocuparem com os problemas da sua função.

A ele se deve a instituição da festa da Visitação de Santíssima Virgem.

Distinguiu-se como patrocinador da cultura, auxiliando e defendeu com estatutos muitas universidades do seu tempo.

 

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GREGÓRIO XI

Gregorio XI

Gregório XI

(1370-1378)

Com exceção de dois italianos e um inglês, todos os cardeais eleitores eram franceses e a escolha, em 30 de Dezembro de 1370, recaiu num francês, o cardeal Pierre Roger de Beaufort, um diácono de 40 anos, de saúde precária, que foi entronizado a 5 de Janeiro de 1371 e tomou o nome de Gregório XI.

Mesmo sendo uma pessoa de bondade natural, mostrou-se enérgico ao declarar, logo após a eleição, que iria regressar a Roma. Não o conseguiu logo, pois só seis anos depois isso lhe foi possível.

Os estados Pontifícios, governados por franceses, revoltaram-se e Gregório XI atuou energicamente, lançando excomunhões e até mandando contra Florença um exército, por ele recrutado entre aventureiros e salteadores, que, à margem das suas ordens e ideias, cometeram desmandos e atrocidades terríveis.

Por essa altura, secundando as insistências de Santa Brígida da Suécia, deu-se a intervenção de uma jovem camponesa, a dominicana Catarina de Sena, a insistir com o papa para regressar a Roma: «Em nome de Jesus Cristo crucificado e da doce Virgem Maria, Reverendíssimo e diletíssimo pai em Cristo Jesus: a vossa indigna e pobre filha Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo no seu precioso sangue, vos escreve com desejo de vos ver como árvore cheia de doces e suaves frutos plantada em terra frutífera. Oh paizinho meu (babbo mio), doce Cristo na terra!… Peço-vos que procedais virilmente, seguindo a Cristo como vigário seu».

Mesmo conhecendo a santidade da jovem camponesa, os extraordinários dos místicos que Deus lhe concedera e aceitando com veneração e humildade as suas filiais advertências e exortações, Gregório XI não se decidiu a ir para Roma, pelo que Catarina de Sena resolve ir a Avinhão para lhe falar.

Depois de examinada a sua ortodoxia e virtude, foi recebida por Gregório XI, que, influenciado ou não pela jovem dominicana e pela sua veemência, resolve finalmente regressar a Roma e três meses depois, em 13 de Setembro de 1376, põe-se a caminho acompanhado de 13 cardeais e uma frota de várias fragatas de diversas cidades italianas. Em 17 de Janeiro de 1377 chega triunfalmente ao Vaticano e nesse mesmo mês concluiu-se a transferência completa da Cúria.

O regresso, contudo, não foi feliz, porque, a poucos dias depois, Roma começa a discutir a autoridade pontifícia e Florença, ainda com as queixas dos ataques sofridos, não quer sujeitar-se à Santa Sé.

Santa Catarina de Sena resolve ir àquela cidade para conseguir a paz, mas o povo enfurece-se e ameaça queimá-la viva. Catarina não se intimida, persiste e consegue o entendimento entre Florença e Roma, onde, entretanto. Gregório XI tinha piorado de saúde. Na tentativa de melhorar, na época de Verão, muda-se para Anagni, mas, meses depois, regressa a Roma ainda mais doente, falecendo aos 47 anos de idade.

Desaparecia o último papa francês, o pontífice que tirou o papado de Avinhão, depois de 67 anos e sete papas, terminando aquilo que os cronistas da época designaram por «cativeiro da Babilónia».

No que respeita a Portugal, ao suspeitar-se de que se tinham introduzido no país alguns erros de doutrina, Gregório XI emite, em 1376, uma bula para Agapito Colonna, bispo de Lisboa,  em que o «encarregava, visto não haver inquisidores neste país, de escolher um  franciscano, dotado dos requisitos necessários para o mister de inquisidor para que verificasse a existência de heresias e zelosamente as perseguisse e as extirpasse». Frei Martim Vasques foi o escolhido e é ele o primeiro reconhecido para este cargo em Portugal.

No fim do século XIV a Inquisição era quase nula em Portugal, sendo no século XV apenas uma questão fradesca, até ser estabelecida em definitivo.

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URBANO VI

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Urbano VI

(1378-1389)

Depois de quase 70 anos de papas em Avinhão e no regresso a Roma, a eleição do novo pontífice era importante, mas os Romanos recusavam um papa francês, pelo que a eleição foi tumultuosa e acabou por dar origem a uma das questões mais discutidas da história da Igreja: o Cisma do Ocidente.

O conclave teve início em 8 de Abril de 1378, mas logo no primeiro dia foi invadido por homens armados, dificilmente expulsos, que continuaram pelas ruas gritando: «romano lo volemo» (queremo-lo romano).

Os cardeais eleitores, pressionados pelos Romanos, não perderam tempo e no dia seguinte optaram pelo arcebispo de Bari, um napolitano chamado Bartolomeo Prignani, que escolheu o nome de Urbano VI e que foi sagrado no dia 18 do mesmo mês.

Os tumultos continuaram e houve quem sugerisse a Urbano VI que renunciasse, mas ele mostrou-se firme, respondendo: «nem que visse mil espadas contra mim não renunciaria».

A verdade é que havia dúvidas quanto à legalidade da eleição, pois os cardeais podiam ter votado coagidos pelo medo, mas depois de interrogados, 12 dos 16 cardeais eleitores declararam ter votado de livre vontade. Mesmo os cardeais que tinham ficado em Avinhão, não comparecendo ao conclave, ao serem notificados da eleição, enviaram saudações e a sua adesão a Urbano VI, o que prova a validade da eleição.

Existe um documento de grande valor a confirmar a validade. Uma carta enviada de Roma, com data de 8 de Maio de 1378, dirigida ao nosso rei D. Fernando (como terá sido dirigida a todos os monarcas europeus), assinada por todos os cardeais eleitores a comunicar a eleição do arcebispo de Bari como papa. Diz assim : «(…) Por esta razão, nos pareceu informar-vos de que nestes dias se obrou na Santa Igreja Romana, para que não deis crédito a outras coisas, se acaso vo-las escreverem e disserem: e também para que a vossa consciência, informada por esta nossa atestação, sossegue e descanse sabendo a verdade (…)

Ilustrados, como plenamente cremos, por aquele Divino Luzeiro que não conhece ocaso, demos livremente beneplácito ao arcebispo de Bari (…) e o elegemos concordemente para o alto da grandeza apostólica (…)»

O certo é que esta eleição de Urbano VI deu origem, e muito por sua culpa, ao Cisma do Ocidente, pois Urbano VI, uma vez entronizado, mostrou-se intransigente, intratável, cruel e até vingativo. Com fúrias de renovador, começou por indispor a Cúria e os cardeais que o tinham elegido, para os quais teve atitudes irascíveis e palavras duras.

Perante isto, 13 cardeais alcançaram Anagni em segredo e aí, sob a proteção de gascões e de navarros, declararam ter sido forçada e nula a eleição de Roma e, em 20 de Setembro de 1378, elegeram com o nome de Clemente VII um antipapa que fixou residência em Avinhão.

A Igreja tinha dois papas e o mundo católico ficou algo perturbado. Fiéis a Roma estavam a Inglaterra, os países escandinavos e eslavos, a Itália, Hungria, Polónia e a Flandres. A França, a Escócia e o reino de Nápoles eram a favor de Clemente VII. A Alemanha estava dividida: a Norte com Urbano, o Sul com Clemente. A Espanha começou com Urbano, mas, por pressões da França, passou-se para Clemente, e em Portugal foi o inverso, pois o rei D. Fernando começou com Clemente, aceitando até que transferisse o bispo de Silves para o bispado de Lisboa, mas por pressão dos Ingleses passou a obedecer a Urbano VI, apoiado por vários bispos, tendo à frente o bispo de Braga, D. Lourenço Vicente, que se reuniram no princípio de 1383, em Santarém, para confirmarem esta adesão.

O povo português também, tomou partido e a tal ponto que o bispo D. Martinho o tal transferido pro Clemente VII para Lisboa – , de origem espanhola, foi assassinado pelos populares, atirado do alto duma das torres da Sé e mutilado com o pretexto de ser cismático e de obediente ao antipapa.

Morto D. Fernando e aclamado o Mestre de Avis, todos os prelados assinaram a ata da sua eleição nas Cortes de Coimbra, em 6 de Abril de 1385, declararam obediência a Urbano VI. Esta atitude terá influído no reconhecimento de D. João I por parte de Urbano VI.

O cisma levantava grandes problemas. Havia dois papas e duas cúrias. Cada um dos papas mantinha uma corte que custava dinheiro aos fiéis. cada qual excomungava o outro e os seus adeptos, o que significava que toda a Cristandade estava excomungada.

Havia lutas nos Estados Pontifícios. Numa conjura em Nápoles, envolveram-se vários cardeais, mas a revolta foi sufocada por Urbano VI, que se mostrou cruel. Mandou prendê-los e depois foram mortos no cárcere.

Entretanto, Clemente VII consegue arranjar um exército de aventureiros contra Urbano VI, mas as milícias fiéis ao papa conseguem vencer e Urbano VI pôde fixar residência no Vaticano.

Os últimos anos de vida de Urbano VI foram terríveis. Capturado pelo rei de Nápoles ficou prisioneiro em Nocera, conseguiu evadir-se, mas o seu desequilíbrio mental agravou-se e quando morreu em Roma, mesmo os que lhe reconheciam a legitimidade se sentiram aliviados.

Durante o seu pontificado deu-se o ingresso da Lituânia no seio da Igreja Católica, com a conversão de Ladislau em 1386 e em dieta reunida em Viena, no ano seguinte, o cristianismo, é declarado religião do Estado, recebendo o povo, em massa, o batismo.

 

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 2-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

Nº 1575-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (73) - 1 de Março de 2013

Nº 1575 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

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segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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BENTO XII

Bento XII

Bento XII

(1334-1342)

Jacques Fournier era um homem humilde que estudou na Universidade de Paris, onde se doutorou em Teologia, entrou na Ordem de Cister e foi nomeado Abade, depois Bispo e Cardeal.

Era um teólogo de renome, sendo o escolhido pelos cardeais eleitores em 20 de dezembro de 1334 e sagrado em 28 de Janeiro de 1335. Tomou o nome de Bento XII e ficou a residir em Avinhão, como já acontecia com todos os papas desde 1305.

Uma das suas principais intervenções como papa foi acabar com as disputas sobre a visão beatifica, definindo como dogma de fé a entrada dos fiéis defuntos na posse da visão beatifica depois da purificação no Purgatório, ou logo após a morte, no caso das crianças batizadas ou dos defuntos não carecidos de purificação, sem ser preciso esperar pelo Juízo Final.

Na mesma constituição, Benedictus Deus, de 29 de janeiro de 1336, se define que «almas mortas em pecado mortal vão de imediato para o inferno, onde padecem penas infernais».

Bento XII foi o maior reformador entre os papas de Avinhão, a começar na cúria pontifícia e acabando nas ordens religiosas, revogando todas as concessões feitas pelos seus antecessores e até algumas por ele próprio feitas no início do seu pontificado, para evitar as queixas sobre desigualdades e abusos.

Esta decisão provocou animosidade, mas o exemplo da sua vida austera e piedosa, isenta de qualquer nepotismo, eram a sua defesa e justificação.

Diz-se que pensou no regresso a Roma, tendo mandado fazer reparações na basílica de São Pedro e na de São João de Latrão, mas tal não foi possível, devido às pressões do rei de França, e por isso deu começo à construção do palácio papal de Avinhão.

Com as agitações sociais e politicas eram muitas, o palácio constitui uma autêntica fortaleza, com 133 x 82 metros edificados, em estilo gótico, a condizer com a austeridade monacal de Bento XII, e só ficou concluído no pontificado de Clemente VI.

Esforçou-se por conseguir o reatamento da união com a Igreja do Oriente.

Distinguiu-se pela sua erudição, piedade e inteireza de carácter e até por certa competência diplomática, embora sem se libertar da influencia de Filipe VI, rei de França, rejeitando a aproximação proposta pelo imperador alemão, Luís de Baviera, que acabou por se aliar a Eduardo III, de Inglaterra, contra o monarca francês, dando início à guerra dos Cem anos.

Foi feliz na conciliação de D. Afonso IV, de Portugal, e Afonso XI, de Castela, que tornou possível a vitória de ambos os monarcas contra os mouros de Granada e aliados do Norte de África, na Batalha do Salado, em 3 de Outubro de 1340.

Bento XII morreu, depois de prolongada e dolorosa doença e ficou sepultado na Catedral de Avinhão.

Foi o primeiro papa a usar a mitra de tríplice coroa, símbolo do tríplice poder ou dignidade pontifícia: real, imperial e sacerdotal.

No seu pontificado, a 8 de Abril de 1341. o poeta Petrarca foi coroado no Capitólio de Roma, pelo senador Ursus D’Anguillara, como «Magnum poeta et historicam», perante o povo entusiasmado.

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CLEMENTE VI

Clemente VI

Clemente VI

(1342-1352)

Formado pela Universidade de Paris e eleito cardeal pela sua inteligência e cultura, aliadas a uma grande simplicidade e simpatia, foi amigo íntimo e conselheiro de Filipe VI, rei de França. E foi este cardeal, Pierre Roger, que foi eleito em 7 de Maio de 1342, 13 dias após a morte de Bento XII, tomando o nome de Clemente VI, porque desejava que a clemência fosse a característica do seu pontificado. De facto, os historiadores assim o classificam : «Clemente, clementíssimo, espelho de clemência».

Contudo, a par de se preocupar com os mais desfavorecidos, Clemente VI gostava do luxo e da ostentação, como senhor temporal, e protegia excessivamente os parentes e os amigos, com evidentes sinais de nepotismo.

Por este desejo de ostentação, Avinhão enchia-se de artistas, pintores, poetas, escultores, médicos e até clérigos ávidos de benesses.

Esta tendência de Clemente VI levou-o a comprar a cidade de Avinhão, tornando-a propriedade da Santa Sé. Talvez por isto, Roma não conseguiu o seu desejado regresso, pois o papa sempre o ia adiando, dizendo que era prioritário conseguir a união entre os reinos de França e de Inglaterra.

Entre 1348 e 1350, a peste negra, vinda da China, flagelou a população europeia, matando cerca de 40 milhões de pessoas. Em Avinhão, uma pequena cidade, chegavam a morrer 400 pessoas por dia e, nesta emergência, o papa deu um exemplo da sua tão falada bondade, cuidando o mais possível de todos e não abandonando a cidade. Por ser necessário, comprou, do seu bolso, um terreno para um cemitério, pagando a médicos e a coveiros.

Depois da calamidade, surgiu na Alemanha, um movimento de penitentes que percorriam as ruas, seminus, flagelando-se e cometendo desmandos contra o clero que pretendiam dissuadi-los e contra os judeus, que acusavam de terem lançado malefícios e serem causadores de todos os males.

Clemente VI foi enérgico defendeu os judeus, que eram, queimados aos milhares na Alemanha e na França, ameaçou de excomunhão quem os molestasse e decretou a prisão para os responsáveis, tanto mais que o fanatismo degenerava em heresia.

Impressionado com a desolação que a epidemia provocara na Cristandade, Clemente VI proclama o jubileu do Ano Santo em 1350, encurtando o período dos 100 anos que Bonifácio VIII estabelecera.

A Europa deslocou-se a Roma e o túmulo dos apóstolos foi o mais visitado, mas nem assim o papa deixou Avinhão.

Clemente VI nomeou 25 cardeais, sendo que apenas quatro não eram franceses e, entre eles, um sobrinho que seria, mais tarde, o papa Gregório XI.Com a sua ideia de vida faustosa, desbaratou parte dos tesouros de arte papais , dai resultando a desorganização financeira, que depois da sua morte onerou a Igreja.

 

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INOCÊNCIO VI

Inocencio VI

Inocêncio VI

(1352-1362)

Os 26 cardeais eleitores reunidos em conclave quiseram eleger o geral dos Cartuxos, João Birel, tido como pessoa austera que evitaria a vida faustosa de Clemente VI, mas, ou porque ele não aceitou, ou por temerem que se parecessem com Celestino V, que se mostrou incapaz politicamente, elegeram em 18 de Dezembro de 1352, o cardeal francês Étienne Aubert, que tomou o nome de Inocêncio VI.

A eleição sugeria um pacto: o novo papa teria de admitir que o seu poder temporal e espiritual ficava limitado em beneficio do Sacro Colégio Cardinalício. Qualquer nomeação, castigo ou destituição de cardeais, a investidura dos fundos, a anexação dos bens eclesiásticos e a provisão nos cargos nos domínios pontifícios não se fariam sem a anuência do Sacro Colégio, mas o futuro papa só assinaria este pacto – se ele estivesse conforme ao direito».

Logo após a tomada de posse, Inocêncio VI declarou que não estaria sujeito a tal pacto, o que o tornava nulo, pois, além de ser uma espécie de coação, limitava os poderes absolutos conferidos por Cristo aos seus representantes.

Como homem de costumes simples e piedosos, não enveredou pelo fausto e ostentação e procurou introduzir reformas de austeridade na corte pontifícia, reduzindo o número de empregados parasitas, colocando nos cargos de responsabilidade pessoas de comprovada competência e aboliu privilégios e acumulação de benefícios, obrigando a residirem nas suas dioceses os prelados que pretendiam governá-las.

No aspecto político não foi hábil e apenas conseguiu algumas tréguas na guerra entre a França e a Inglaterra.

Em 1360, com Avinhão e toda a Provença ameaçada por hordas de bandoleiros provenientes de Itália, o papa pregou uma cruzada, sendo auxiliado por D. João Fernandes de Herédia, que acorreu com 1600 soldados recrutados em Aragão, mas a ameaça só foi afastada com a entrega de 14 000 florins aos assaltantes.

Perante isto, Inocêncio VI pensou regressar a Roma, apesar da anarquia que reinava nos Estados Pontifícios, e, para tal, enviou o cardeal espanhol Gil Alvarez de Albornoz, arcebispo de Toledo, para lhes restituir a paz. Se o papa tem regressado logo a Roma, seria recebido em  triunfo, mas não o fez por receio e opor doença e a oportunidade perdeu-se.

Morreu em Avinhão e ali foi sepultado.

O seu amor à literatura levou-o a convidar Petrarca para seu secretários, mas o poeta, cioso da sua independência, não aceitou o cargo.

Um senão deste pontificado foi o de Inocêncio VI ter elevado vários parentes a dignidades eclesiásticas das quais eram indignos.

 

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 1-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

Igreja da Comunidade de São Paulo do Viso

Nº 5 801 - SÉRIE DE 2024 - Nº (277) - SANTOS DE CADA DIA - 2 DE OUTUBRO DE 2024

   Caros Amigos 17º ano com início na edição  Nº 5 469  OBSERVAÇÃO: Hoje inicia-se nova numeração anual Este é, portanto, o 277º  Número da ...